segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

E janeiro Chega ao Fim

Final do mês tá ai. Passou igual uma bala. Que doidera.
Eu continuo sem emprego fixo, continuo sem uma faculdade descente,
Mas continuo compondo, continuo criando,
Não dá dinheiro mas é bom.
Fevereiro a gente se esbarra mais.

Fui.

domingo, 23 de janeiro de 2011

[família] looooonge, mas EXISTE

Recém adultos ainda possuem família. Eu sei que é meio sádico, mas geralmente a família fica velha e morre. Ou a gente larga os pais num asilo. Algo assim.
Enfim, não é o meu caso. Ainda vivo com... quer dizer, próximo dos meus pais, e a minha família por parte de mãe ainda existe em Minas. Eu moro no Rio, e a distância é muito grande. Então não nos vemos com frequencia. Para ser mais exato, a última vez que os vi foi quando eu tinha 8 anos. Agora tenho 20.
É.
Faz muito tempo.
Enfim.

Nesse final de semana, meu primo Vinícius vai se formar em história, e convidou a família para sua formatura. Seria um momento perfeito para rever (reconhecer) todo mundo, e mudar um pouco o cenário.
Bom, viemos de táxi, porque de ônibus seria muito mais demorado. Ficou caríssimo, mas valeu a pena pelo tempo. Claro que viemos muito desconfortáveis, mas pelo menos meu violão veio seguro.
A cidade é linda. Bem exótica, cheia de sobes e desces (morros e ladeiras) e a UFV é muito cinematográfica. Curti demais.
Reconheci meus primos, o contato foi mais fácil do que eu pensei, tivemos um papo interessante, me reaproximei das minhas tias, da minha prima Carol (a menor rs), e saímos para beber e tal, enfim, foi fascinante. Nada como um bom programa de adulto. Com adultos. Eu disse adulto?

A formatura foi chique. Coloquei uma roupa à caráter, tirei altas fotos, conversei sobre assuntos de adulto como política, aquecimento global, desenvolvimento auto-sustentável e pobreza na áfrica, bebi vinho e comi espetinho de bacalhau. Tava uma bosta, mas na hora o carão fala mais alto.

Em suma, a viagem está sendo (ainda não voltei) muito boa. Vale a pena.
Uma dica ai seria passar mais tempo com a família. Invejo aqueles que tem a família perto.
É muito bom.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Os Bafões de João

E lá estava ele, João, trajando uma roupa social qualquer que imitava alguma cara, uma gravata skinny verde combinando com o detalhe de seu relógio (que também imitava um caro), um sapato social daqueles duros de bico fino e uma calça brim normal reduzida manualmente pela sua vizinha costureira. E ele ia caminhando, com um sorriso falso estampado no rosto, carregando sua maletinha, voltando de seu trabalho fantástico (ganhava bem e um Visa Vale de 200 reais por mês. Ah, que inveja).

E passava pela rua próximo à praça da República, onde pegaria uns exames para sua tia. Ele tinha noção de onde ficava o local, mas esforçava-se para tentar lembrar detalhes mais sólidos, ou acabaria se perdendo. Entretanto, graças à nobre conveniência humana aos desprovidos de coordenação geográfica, havia uma placa do tamanho de um outdoor indicando onde ficava o UH Saúde.

Eram três casas iguais, provavelmente antes de ser UH Saúde eram algum tipo de condomínio, onde viviam três famílias. Agora funcionava a clínica, e ele foi caminhando, autoconfiante, para dentro da última casa.
Chegou, e abriu a porta.
Deu de cara com um velho, num balão de oxigênio, assistindo televisão. Ele olhou incerto e perguntou:
"Onde pega exame?"
O velho pigarreou, como se estivesse acostumado a dizer o que disse:
"A clínica é ali do lado."
Bruno parou, olhou para o balão de oxigênio, deu meia volta e saiu da casa.

Eram três casas iguais. Entretanto, quando o UH Saúde comprou as casas, comprou apenas 2, pois um dos moradores não quis nenhum acordo.

Agora, imaginem.

Você está em casa muito bem, assistindo sua televisão, quando de repente alguém que você nunca viu na vida abre a porta da sua casa, entra, olha nos seus olhos e pergunta "onde é que pega exame?"

Mas nada é mais intrigante do que o balão de oxigênio.
Vai entender.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Recém Incluso na Era Digital

Estava dando uma volta pela internet certo dia, e me deparei com um profile de orkut hilário. O profile era uma daquelas frases já prontas tipo "eu sou foda e vc nao fica a dica" e em baixo um milhão de links:

Perfil 1
Perfil 2
Perfil 3
Twitter
Formspring
Tumblr
Facebook
Flickr
Blog
Canal do Youtube

AAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaarh
xD
Meu Deus, como uma pessoa dessa vive?
Sim, eu tenho facebook, twitter e um blog, mas cara!
Eu não SOU isso!
Entendem o ponto??
XD
Os links estavam no quem sou eu.
AH, quem é você?
EU SOU MEU TWITTER, MEU TUMBLR...
Enfim, que existência vazia!

Claro que não vou discriminar quem usa, nem negar a utilidade desses sites, afinal de certa forma, esses sites tornam a internet mais interessante em outros aspéctos... (nao para gente velha, que acha que internet é só pesquisa de escola)
Só acho que a dica é a seguinte, não faça profiles assim, é tosco demais. XD Vamos tentar ser mais autênticos, e divulgar nossos "quem sou eu" de uma forma mais saudável e menos massante.

Bem, vou voltar a dormir, só acordei porque tive uns pesadelos bizarros.
Fui.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Chuva, chuva, muita chuva.

O que foi esse final de semana? Caramba. Tenso.

Primeiro fator ruim: A chuva.

Choveu demais. Peguei muita chuva. Caiu um temporal sobre eu, Bruno Sá e Renato Machado. Pingamos, literalmente. Entretanto, o trio foi animado.
Tocou axé, eu detesto axé, mas quem se importa? A música é o de menos. O clima que é agradável. Ver aquela quantidade gigante de gente, os saradões se exibindo para os outros saradões (pq só saradões se importam) e exibindo suas namoradas, os coroas e suas velhas bizarras de sainha, as pré-adolescentes doidas para dar as vaginas e os pré-adolescentes tendo crises de bêbado porque tomaram uma latinha de cerveja. A praia suja, as ruas sujam, os policiais que não prestam pra nada (todo mundo briga assim mesmo, rola drogas e todo mundo sai roubado), e claro, a chuva! Molhando todos, acabando com a chapinha de todas, enfim.
Sexualmente falando, foi o paraíso. Muitas pessoas ali se conectaram com meu desejo físico. Hahaha. Em seguida vem a frustração, pois não teria nenhuma delas. Okei, não ligo.
Bebi o suficiente para ficar levemente mais solto e alterado, entrei na muvuca e dancei musicas como "Dar uma fugidinha com você" e outras mais que todo mundo sabe a letra de cór menos eu.

E depois do trio, Renato foi embora, e eu me encontrei com mais alguns amigos, e fomos toodos para o camping.
Nunca tinha ido num camping antes, achei mágico.
Aquele bando de barracas altamente modernas e cheio de adaptações (para foção, torneira, enfim) e aquelas famílias, aqueles caras bombados todos iguais, pessoas fazendo churrasco, pegação nos banheiros, enfim, uma doidera.
Tomei banho rapidamente (odeio banheiro comunitário) e fomos todos para o show que ia ter, Banda Eva (eca).
Fomos para a beira da praia, ficamos na grade, de cara pro tio lá que eu esqueci o nome, e curtimos o show. Depois do show, ainda ficamos na bagunça, encontrei com vários colegas meus, e depois voltamos para casa.

Segundo fator Ruim: Insônia

Não dormi. Fiquei acordado a madrugada toda. Aproveitei e dei uma volta pela praia a noite, a tranquilidade é linda, a água é quente (doidera). Sentei e fiquei olhando o mar, e quando dei por mim, o sol vinha nascendo, e foi lindo. Pena que estava só.

Terceiro Fator Ruim: Sem Roupa

Não, ninguém ficou nu. Mas a verdade era que a única peça de roupa que eu tinha estava encharcada. Peguei emprestado com um amigo que conheci no dia, e ainda assim, fiquei de sunga (emprestada) e camiseta (emprestada) até o dia seguinte. Ah, descalço. Conclusão: Cortei o pé.

Quarto Fator Ruim: O Assalto.

E no meio do trio, levam minha carteira. Juro. Foi tenso, fiquei desesperado, igual uma barata tonta olhando para o chão a procura dela, hahaha, ingênuo eu. Bem, na carteira nao tinha dinheiro, apenas uns documentos. Quando eu já tinha me conformado com a perda dela, um cara me chega e devolve. O.O
"Eu vi o cara pegando sua carteira, ele jogou na praia, eu trouxe pra vc!"
"Obrigado"
"Aham... me arruma 20 conto ai?"
ha ha ha.
Entenderam?
Repito que não tinha dinheiro na carteira.

Quinto Fator Ruim: A van

Sim. Viemos em pé, numa van lotada, dando risada loucamente até campos. Claro que quando cheguei na cidade, tomei um táxi e fui pra casa, cansadérrimo, bati na cama e dormi terrivelmente. Enfim. No fim das contas, mesmo com tantos fatores ruins, eu adorei, e faria tudo de novo.



ps: Só faltou mesmo uma pessoa legal ao meu lado. Ai ai. É a vida.
Recém adultos aprendendo que solidão faz parte. Hahaha.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Adultos que Gargalham

Depois de uma série de posts existencialistas e dramáticos chegou a hora de alguma coisa mais light, mais povão, mais pobre, enfim. XD
Querendo eu ou não, o que acontece na minha vida acaba interferindo no que eu escrevo por aqui. Então, hoje vou falar sobre um assunto que acho intrigante. O Falso Moralismo.

100% dos humanos são falsos. Meu irmão diz algo que eu adoro, "todo ser humano é essência mais a circunstância. Ou seja, você pode ser a pessoa mais bondosa do mundo, mas se for conveniente naquela situação específica ser mal, você vai ser mal"
E é assim. E as pessoas ficam presas nisso. Doidera.
Esse que vos fala também faz. Todo mundo faz.
Quem nunca traiu e negou até a morte? Negou simplesmente por medo de encarar a realidade?
Claro que, compreender esses erros é metade do caminho. Previne que eles aconteçam de novo.

Essa parte do texto é para alguém que nunca vai ler, mas lá vai:
Você disse tanto de mim, e fez muito pior. Fica nesse personagem pros outros, e pra si mesmo, enquanto eu não me engano. Perdoe-me, mas você está numa fossa patética. Nunca teu erro vai cair à tona, e nunca você vai me pedir desculpas, mas pelo menos eu não me engano, nem engano ninguém. Não mais.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Suicídio


Abro os olhos e vejo a luz, que luz forte que entra da janela, posso ver o ventilador girando descontrolado com seu ruído delicioso, só consigo dormir com seu ruído, me levanto de leve e olho para cima para o teto onde brilham os adesivos que eu peguei no cereal e olho pro relógio que não para de gritar do meu lado como se exigisse que eu me levantasse e me levanto e olho em volta e vejo a bagunça, quanta poeira no meu teclado, limpo rapidamente com um pano que acho em cima da cadeira e sigo pela porta, cambaleio pois o sono é muito, mal dormi na noite passada pois fiquei até alta madrugada no bate papo procurando sexo afinal sexo é algo que nunca tive facilidade de encontrar devido talvez à minha má aparência mas também não reclamo afinal nunca fiz nada para mudar isso — e nem quero — apenas ignoro o bocejo e abro a geladeira, percebo o frio que está fazendo, olho para a janela e vejo o céu nublado como eu amo tempo nublado fecho os olhos e sinto a brisa, uma brisa tão boa, tão agradável.

Abro os olhos novamente e passo um café, nada muito demorado, ponho comida para o cachorro enquanto o café esquenta e eu caminho até a sala, abro as cortinas e aprecio a paisagem morta, o mar calmo repousando no horizonte, o sol prestes a nascer. Ah se ele soubesse que enquanto realiza o espetáculo do amanhecer toda a sua platéia continua dormindo, ainda assim ele repete sempre, e que bom que o faz, o dia é algo formidável, ouço o barulho da cafeteira e volto à cozinha, mas que cozinha imunda preciso limpá-la rápido, Giselle vem em casa amanhã — Giselle, linda, maravilhosa, acho que estou completamente apaixonado, mas ela não me corresponde, Giselle sente atração apenas por mulheres, somos bons amigos entretanto, mas não basta, queria sexo com ela, Giselle de quatro, Giselle de ladinho, queria muito comer Giselle, mas ela tem uma namorada (e a ama). Pego a xícara e adoço meu café sem mesquinharia, eu aprecio um café doce, com açúcar, não suporto adoçante, bebo devagar para apreciar o sabor, minha língua queimada com o tempo, minhas mãos sem firmeza devido a idade, meu corpo friorento e o frio gostoso vindo de fora, minha cachorra comendo com gula, meus pés dormentes como todos os dias pela manhã.

Procuro as chaves do carro pelo sofá e não as encontro, olho também em baixo e em cima do aquário, mas não consigo me lembrar onde deixei, olho em baixo da mesa e sobre o vaso, encontro pendurada na janela do banheiro, não me recordo como foi parar ali mas ignoro, pego e ponho em cima da toalha de mesa, afinal, não suportaria ver minha mesa tão cara arranhada por um molho de chaves. Tomo meu banho depressa, água fria que acorda o corpo e também a alma, enrijece a musculatura, minha desculpa para não fazer caminhada nem nada e passo o sabão nas costas, sinto um arranhão que não estava ali me pergunto interiormente da onde ele veio e lembro-me do sexo, mas foi semana passada, mas foi bom, seguro meu genital e me masturbo. Gozo, e saio do banheiro me sentindo um lixo, quarenta anos e ainda faço coisas de adolescente, meus pais estão mortos e não sou casado, amo uma mulher gay e meu emprego não me paga bem apenas dois mil, eu sei que tem gente que vive com duzentos mas meu padrão é caro, eu escolhi meu padrão e esse valor que recebo não é e nem nunca foi suficiente. E suspiro. Respiro. Minha respiração ofegante.

Repasso as cartas, todas elas, que escrevi dias antes quando tive a idéia, meus pais não aprovariam, ninguém aprovaria mas nesse mundo de merda ninguém aprova nada, não preciso de despedidas, só quero sair logo, sair disso aqui, sair dessa fossa, quem me jogou nessa fossa? Eu sei que foi eu mesmo mas não importa mais, nada importa, é tudo uma questão de interesse, não sei exatamente de quem, mas essa frase funciona bem, gosto de pensar nessa frase, mas então me retiro, vou caminhando pela rua, o trânsito é infernal, as pessoas são infernais, o mundo é infernal, me aproximo da ponte, aquela ponte ridícula, gastaram milhões nela, e ela está lá, enfeiando acidade com aquela textura de cimento mal trabalhada, mas não importa mais, nada me importo, chego no meio e me jogo, e caio de leve, a última sensação de queda da minha vida, e a água entra nos meus olhos, e neo meu nariz, e nos meus ouvidos, e não luto contra a água, me deixo afundar lentamente, me lembro de quando brincava de quem agüentava mais rápido embaixo d’água, e dessa vez eu ganharia, pois agüentaria até a morte, e espero... espero... espero... espero... e morro.

O Heterossexual (parte 3 - FINAL)

E lá estava ela, Maria, sentada no banco de sempre, anciosa. Olhava o relógio a todo momento, mas a hora se recusava a prosseguir. Ouvia no fundo os murmúrios das pessoas que estavam ali perto, normais, felizes, as crianças brincando, o trânsito leve, os pássaros no alto, mordia os lábios com força, e respirava fundo. Ele estaria ali a qualquer momento.

João estava em casa. Um de seus pais havia viajado, e o outro estava vendo televisão. Ele conhecia o gênio de seu pai, e não seria fácil. Toda a sua bagagem já estava pronta, escondida na varada. Ele poderia ter simplesmente deixado uma carta, mas ele sabia que seria uma atitude covarde. Ele enfrentaria quem quer que fosse por Maria.
Desceu as escadas de leve, cada passo que dava sentia um choque percorrendo seu corpo, aquele frio bizarro que acontece sempre quando vamos apresentar um trabalho numa sala de aula, aquele suor frio de nervosismo antes de algo que já suponhamos que será tenso.
Teria que ser de uma vez só.

— Pai? — João disse, tremendo. Era difícil pronunciar as palavras, era difícil até se manter em pé. O pai não prestava muita atenção.
— Fala.
— Eu queria conversar com você sobre uma coisa.
O pai olhou para ele instantaneamente. Fez silêncio por alguns segundos e desligou a TV, sem tirar os olhos do garoto.
— O que é? — O pai tinha medo.
— Sobre mim. — O filho tinha medo.
— Diz logo, João! — O pai estava ficando nervoso. João engoliu em seco.
— Eu sou hétero.
E o pai não respondeu.
É difícil descrever o que se passou pela cabeça dele, mas um homem daquela idade, criado numa sociedade em que há a maldade, há o preconceito, onde toda a sua personalidade foi construída em cima desses conceitos, ver a expectativa do casamento de seu filho, o orgulho perante os seus amigos, ver toda a educação desmoronar, diante de seus olhos, e tentar localizar o erro e não conseguir, e nem se dar conta de quão doentio eram aqueles pensamentos.

O pai levou as mãos na cabeça, tentando regredir o tempo segundo antes, preferir que João nunca tivesse lhe contado, mas era inútil. João, deveria ter ficado em silêncio.
Mas ele não ficou.
— Eu to indo embora. Com a Maria. Estou apaixonado por ela.
E o pai explodiu.
— COMO VOCÊ PODE ESTAR APAIXONADO POR UMA MULHER SE VOCÊ É UM HOMEM?! — E ele chorava — Isso é doentio, João! Você não tem que ser assim!
— Pai, isso não é uma escolha minha, eu sou assim desde sempre, lutar contra isso é pior!
— Você não era assim! Você ficou assim porque? Foram esses amigos seus que fizeram sua cabeça! Meu filho, isso tem cura!
— Cura? — João riu — Isso não é uma doença.

O pai lembrou-se então de seu pai, quando ele tinha oito anos, com seu irmão de quatorze, quando disse que era hétero. Era um segredo que ele nunca tinha dito para ninguém. Então pai se levantou. E o bateu.
No primeiro soco, João não acreditou. No segundo, ele despencou no chão e caiu. Levou as mãos na bochecha mas logo levou outro soco. E outro. E outro.
E seu pai chorava muito. E depois de espancá-lo, ele subiu as escadas atordoado.
— Não criei filho para sair por aí com uma mulher.

João então se levantou.
— VOCÊ NÃO ENTENDE! E NUNCA VAI ENTENDER! Pra você é muito mais fácil, porque ninguém fica dizendo que é errado. Ninguém! Mas tenta imaginar, e se fosse o contrário? E se homem com homem fosse o errado? Você mudaria? Claro que não, porque ninguém muda, todo mundo se adapta. Então mesmo que eu finja gostar de homem estarei fingindo, pois meu coração pertence à alguém, e a uma mulher.
— Então finja, João.
E joão parou de falar de repente. O pai continuou:
— Finja. Não quero saber de nada. Prefiro que você não me diga. Prefiro...
E o pai desmaiou. Caiu pela escada, rolando, até chegar aos pés de João. João correu até ele, desesperado, e o encontrou desacordado, com uma baba branca correndo do canto da sua boca. Ele pegou o telefone e ligou para a ambulância, enquanto checava para ver se o pai estava vivo.

E Maria ainda estava lá, aguardando, enquanto a chuva fina que caíra aumentava para um temporal. Mas ela não se moveria dali, ela ficaria ali até João aparecer, pois ele apareceria, sem dúvida.
Mas ele nunca apareceu.
E quase quarenta anos depois, João tem uma família. Tem filhos. Aquele pai seu falecera, ataque cardíaco, e o outro ainda vivia, de forma precária, mas estava vivo. Maria tinha se entregue para o mundo, mas não dava certo com ninguém.
E João, casado com um homem, tinha uma certeza. Se adaptaria ao sistema, e trairia seu marido com mulheres pelo resto de sua vida.








FIM

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Heterossexual (parte 2)

João e Maria não foram feitos um para o outro. Isso acontecia porque João era um homem, e Maria era uma mulher. A sociedade dizia, desde sempre, que isso era um erro do mundo, uma aberração, um distúrbio, ação do diabo, cada uma das pessoas tinha uma teoria sobre a causa daquela doença que fazia os homens sentirem atração física pelo seu oposto, e vice versa.

Entretanto, João e Maria não se importavam, pois os dois eram heterossexuais e os dois sentiam algo quando se viam. Claro que as coisas foram acontecendo muito lentamente, e os dois foram se descobrindo juntos, no mesmo ritmo, e claro, escondido do mundo.

E João e Maria deram o primeiro beijo, os primeiros toques, o primeiro sexo. E o sexo não parecia anti-natural, o amor não parecia um distúrbio, era tão bom, era tão aconchegante, e ficarem juntos, abraçados, atrás de um muro de uma construção abandonada, os fazia se sentir tão bem, os fazia ter ânimo para tudo, os fazia feliz.

Mas João e Maria viviam uma vida dupla. Viviam porque precisavam, mas algo dentro deles estava se partindo, pouco a pouco.

— Você já tem dezenove anos, João. Ainda não arrumou nenhum namoradinho não? — Dizia o pai, à mesa, com toda a família reunida — Engraçado isso, eu na tua idade tinha vários.
— Não precisa transformar o garoto num canalha, né — Disse o outro pai — Deixa ele ir com calma.
— Eu... (gosto de mulher) vou achar alguém com o tempo. — E João sentiu seu estômago apertar. Como ele queria poder dizer tudo de uma vez. Mas ainda não. Ainda era cedo.

Maria, ao contrário de João, não tinha tanta sorte. Sua família era extremamente heterofóbica e deixava isso claro a todo momento. Maria não argumentava, nem tinha oportunidade para expor nenhum ponto de vista. Era um inferno.

Então em uma noite, como todas aquelas noites anteriores, algo diferente aconteceu. João e Maria tiveram uma idéia. Uma idéia estúpida, ridícula, inconsequênte e impulsiva. Mas quem liga para isso quando se ama?
— Vamos fugir. Eu e você. A gente conta tudo e vai embora.
— Mas João, viveríamos de que?
— Eu posso trabalhar em qualquer coisa, e você continua fazendo as bijuterias. A gente junta a renda e vai morar junto, quem sabe adota um filho...
— Não seja utópico, a justiça jamais deixará um homem e uma mulher adotarem um filho.
— De qualquer forma, Maria, eu te amo, e essa situação tá muito difícil. Eu to quase gritando pros meus pais que sou hétero. Se isso acontecer, com certeza serei mandado para fora de casa.
— Então você conta, e depois eu conto. E aí, a gente se encontra na Praça do Pedestal e de lá a gente vai pra rodoviária... para onde iremos?
— Tenho uma tia que mora sozinha lá pra Santa Clara. A gente pode ficar por lá até ter alguma renda pra sair.
— João, isso é uma loucura. A gente tá indo embora sem nada. Sem móvel, sem dinheiro, sem porra nenhuma.
— Você não quer ficar comigo, né?
— Caramba, claro que eu quero, só que você não tá levando em conta as dificuldades...
— Maria, eu não me importo. EU já passei por tanto perrengue. Pra agora eu me importar com isso.
— João, isso não faz sentido.
— Então você não vai?
— Eu vou, João. O que mais eu tenho a perder?

E assim seguiu, até o sábado onde tudo aconteceria. Maria reparou que até lá, cairia um temporal.


Continua...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O Heterossexual (parte 1)

João era um garoto como qualquer outro garoto. Ele tinha um par de olhos, um nariz, duas orelhas, uma boca, um genital exposto, enfim, todas as características de um garoto do sexo masculino. Psicologicamente, João era mais recluso, preferia ficar em casa, lendo, e quando saia tinha dificuldade de relacionar-se com os outros da sua idade. Porque João era diferente. Ele sempre soube. Todos desconfiavam, mas ele não podia ser. A sociedade dizia que aquilo era errado.
João era heterossexual. João gostava de mulher.

Ele sabia que isso era anormal. Ele tinha memórias de seu pai e o namorado dizendo para ele quando ele era criança que ele tinha que arrumar um bom homem no futuro, para casar com ele, e quando ele era bebê brincavam as familias vizinhas que ele e o vizinho eram namoradinhos. Mas ele se sentia desconfortável. Quando completou seus 16 anos, ele viu uma garota, uma garota que jamais sairia da cabeça dele, Maria. E ele sentiu-se diferente com Maria. Sua forma de andar, de se mexer, a forma com que seus cabelos balançavam ao vento, seu sorriso singelo, sua pele suave, macia...
Na mesma hora, ele gelou. Pele suave e macia? Se um dia o pai dele ouvisse ele dizer isso em voz alta ele seria deserdado.
"Não teria vergonha maior pra nossa familia se algum homem aqui gostasse de mulher. Sério, eu fico inojado com esses jovens de hoje em dia, andando com as mulheres de mãos dadas pelas ruas" dizia o pai.
"De mãos dadas?" exclamava a mãe. "Meu Deus, isso é doentio. Eles deveriam frequentar uma igreja.
Igreja? Bem... João não perderia nada tentando. Era um recém-adulto, com seus dezenove anos, se fosse ocorrer alguma mudança, teria que ser agora.

Era um dia nublado, de manhã, e lá estava ele, indo em direção à igreja que tinha perto de sua casa. Havia um grupo de jovens lá, e ele explicaria para o pastor a sua situação. Quando chegou, todos os olhares se voltaram para ele. Ele viu as mulheres, e os homens, e ele sentiu. Todos ali eram errados. Todos ali se gostavam. Todos ali deveriam mudar. Deveriam tentar mudar, pelo menos.
O culto foi longo. Algo sobre Deus ter feito o homem para o homem, e amulher para a mulher, citou o famoso ditado de que "os opostos não se atraem", a beleza da simetria sexual divina, e citou a famosa historia de Ló, quando sua esposa olha para trás e vira estátua de sal.
"Vocês compreendem? Ló era um pecador, morando com aquela mulher. Deus tinha que lhe enviar um sinal"
Logo após o culto, João se aproximou do pastor, que sorriu.
"Eu já sei o que você vai dizer." o pastor disse. "Você já teve relações com mulheres, não é?"
"Ainda não tive" João olhou para os lados, evergonhado "Mas tive vontade. Ela mora na minha rua. O nome dela é Maria. Acho que estou apaixonado por ela."
O pastor fez uma expressão de nojo, e balançou a cabeça negativamente, de forma sutil.
"Isso é um espírito ruim dentro de você. Você é um ser perfeito de Deus. Feito para um outro homem. Não uma mulher. A mudança tem que começar no seu coração. Se você se entregar aos desejos da carne, como poderá se multiplicar e ser feliz?"

João não foi convencido. Ele sabia que um dia engravidaria, assim como todos os homens e mulheres, e sabia que se ficasse com uma mulher isso não aconteceria, mas ele também sabia que ninguém nesse mundo fazia sexo apenas com a intenção do acasalamento.

E no caminho de volta para casa, o inevitável aconteceu. Ele dobrou uma esquina, e lá estava ela, Maria parada em um orelhão. ELe gelou de medo. Ela não podia perceber nada. Ele olhou em volta e viu vários outros homens, na calçada, e de repente um deles gritou:
"Ah lá, o heterossexual! Todo nervoso perto da mulher!" E riram. "Heterozinhooo, quer a bucetinha né?" Ele passou correndo por Maria, que ouviu o tumulto, mas a menina simplesmente o seguiu, até ele entrar em outra rua.
"Espera!" gritou Maria. João ficou pasmo. "Não liga não. Esse povo é assim mesmo. Não consegue entender nada que seja diferente."
"Eu sei... é que eu fiquei com vergonha de você..."
"Não liga não. Eu sou heterossexual também."
E João mordeu os lábios.
Abriu a boca para falar algo, mas nada saiu.



Continua...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vinte e Poucos Anos

Não tive uma festa de aniversário grandiosa quando completei meus vinte anos. Queria ter tido, lógico, só se faz 20 anos uma vez na vida. Pensando bem, todos os anos só são feitos uma vez na vida, mas 20 soa mais cool.
Enfim.
De qualquer forma, quando fiz meus 20 anos, ninguém lembrou, ninguém disse nada, nada no meu corpo mudou, nada na minha mente, eu era apenas o mesmo de antes, mas agora, mais próximo da data da minha morte.
Fiquei revoltado e resolvi sair assim mesmo. Sozinho. Para qualquer lugar, sei lá, a Cantina do Amorim.
Claro que foi extremamente depressivo eu num lugar desses, com música ao vivo, comendo a entrada que vem de graça e bebendo um copo d'água, e tentando me convencer à todo momento que eu estava bem.
Então a idéia do inevitável me ocorreu. ps: A culpa é do Almodóvar.
Suicídio.
Para quê viver?
Minha família nem se lembrou do meu aniversário. Nenhum dos meus amigos tinham me ligado. E eu estava lá, vinte anos, desempregado, sozinho no meio da rua, totalmente desiludido com o amor, totalmente triste com as pessoas em volta. Super iria me matar.
Fui andando lentamente em direção à ponte da Rosinha, pois um desastre de lá seria muito mais glamuroso. Algumas pessoas repararam meu rosto de depressão que eu estava forçando, só para dar climão. Subi em cima do... como é o nome? Parapeito? Ah sei lá, vocês entenderam, vou chamar do que eu quizer. Subi em cima da paradinha da ponte, da ponta da ponte (hahaha que péssimo) e fechei os olhos.
O transito PAROU.
Imagine, um milhão de pessoas gritando para mim, prestando atenção em mim, aquelas pessoas patéticas que emanam felicidade estavam ali, perdendo tempo de suas vidas em minha função.
E na real? Eu nem ia me jogar mesmo.
Um policial se aproximou e começou um discurso totalmente Xuxa sobre existencialismo, e depois uma mulher veio dar uma de Disney mandando eu não desistir dos meus sonhos. Mas então, uma criança se aproximou e disse algo tão profundo, tão intenso, que eu quase desequilibrei e caí. Ela disse "aqui, quem quer se matar, morre. Sai fora daí, babacão." Ela tinha razão. Bah. Era só o meu aniversário de 20 anos. Who cares.
FUi embora. CHeguei em casa, abri a porta,
e
todos
estavam
la.
Era uma festa surpresa.
Corri na cozinha, peguei uma faca e enfiei no peito.
Tá, eu não fiz isso.
Enfim.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Entre Desilusões

Confesso que estou sem inspiração para escrever. Começar um texto assim pode parecer depressivo e suicida, mas no caso, é só sono mesmo. Acho que virar madrugadas em boates bebendo MATA. Meu corpo está cansado, embora minha cabeça ainda esteja ligada.
Como acontece com todos os recém adultos do mundo, aconteceu comigo uma desilusão amorosa. No meu caso entretanto é bem mais complexo, pois não estava namorando nem nada, era apenas sexo casual, mas no fim a coisa evoluiu somente para criar um drama. Como se a pessoa do nada me amasse, só pq eu fiquei com outra. Complexo.
Não sei se você vai ler isso, mas espero que você saiba que minha culpa veio seguido da sua. Todas as suas atitudes causaram a minha atitude. E se você foi capaz de mentir no último dia era sinal de que você sabia o que eu queria, e não fazia por ego. Você se mostrou mais uma imatura no mundo, mais uma pessoa refém dos seus próprios dogmas.

Recém adultos tem essa necessidade de se prender em dogmas, em conceitos, que simplesmente não fazem o menor sentido. Acho que é uma boa dica analisar isso e tentar ser livre.
Claro que, liberdade não existe.
Mas quem se importa?
Só não seja escravo da sua própria hipocrisia.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ambição e Bom Senso

Recém adultos necessariamente precisam estudar. É fato. Geralmente eles ainda moram com os pais, mas um dia papai e mamãe vão morrer e nem todo mundo tem "vantagens familiares" no futuro. Basicamente, são todos como eu, miseráveis que precisam trabalhar de qualquer forma.

O foco desse post entretanto não é o trabalho, mas sim, a vocação. Muitos recém adultos não fazem a menor idéia do que fazer. Alguns fazem o que "todo mundo faz" e ficam ricos. (Quimica, Engenharia, Medicina, essas coisas). Outros como eu, que não tem aptidão para isso, se ferram, pois todo o resto simplesmente não dá uma vida financeira legal (tem sortudos que conseguem, mas é utópico achar que existe oportunidade para todos)
Eu por exemplo me dou bem com música. Sempre foi assim, e sempre será. É a unica coisa em que eu sou bom. E isso é uma droga, pois música não tem empregabilidade direito. O famoso Mercado de Trabalho (nããããão) não precisa de músicos, eles são escolhidos aleatoriamente pelo público quando dão certo. É desanimador.
Os cineastas, os pintores, os roteiristas que dão certo geralmente são filhinhos de papai que já tem grana e contatos, e em sua maioria, não tem talento algum. Por isso que hoje temos tanta porcaria na TV.E como o público é burro (sim, o brasileiro é BURRO) ninguém percebe como é ruim.
Malhação por exemplo, com aquelas atuações forçadas ridículas, tramas ridículas, estilo de narrativa ridícula, retratando um adolescente que não existe, faz o maior sucesso. Tá todo mundo rico. E eu continuo pobre.
Enfim, é só um desabafo. Como tantos outros.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Recém Adulto TEM sono

Estou eu aqui, diante de um notebook (que não é meu), em São Fidélis, bebendo vinho branco e fumando um Lucky Strike preto (daquele da bolinha), twittando e lendo meu facebook (hahaha oh wow) e claro, postando no blog.
Agora que sou adulto, beber vinho numa madrugada no meio da semana torna-se rotineiro. A depressão ganha outro nível de soluções. Agora, quando estou deprimido, tomo uma taça de Red Label na lareira, deprimido, no chão, ouvindo Laura Pausini no Microsystem. Antes era evanescence mesmo.

Mas, obviamente, hoje não estou deprimido. O vinho branco é só uma cortesia da casa, e o cigarro é o pseudo-vício batendo. Nada demais. O sono vem lentamente, mas com ele vem a vontade de não dormir ainda. É um dilema. Amanhã acordarei com uma leve dor de cabeça.

Algumas pessoas conversam comigo no msn, outras me ignoram. É fato que não conheço metade dos meus contatos, e agora que sou adulto tenho menos tempo para eles. Fazer o que, é a idade! (adoro usar essa frase)
Tenho esse momento para pensar nas minhas paixões. Nos meus rolos, nas situações em que me encontro. Nas metas, nos objetivos. Doidera.
Depois de umas duas taças vou para a cama. Amanhã cedo posto algo mais construtivo.
Boa noite.

[poema] ~ Diálogo

Diálogo.

Diálogo é necessário.
Diáglogo é necessário porque esclarece as coisas.
Esclarecer as coisas é necessário porque desenvolve o relacionamento.
Desenvolver o relacionamento é necessário para que um sentimento seja fixado,
É necessário que um sentimento seja fixado para que a paixão torne-se verdadeira,
E claro, paixão tornar-se verdadeira é necessário para que não haja falsidade entre o casal,
E ausência de falsidade de um casal é necessário para que exista confiança.
Confiança é necessária para que haja a felicidade.
Felicidade é necessária para que a vida fique mais fácil.
E para a vida ficar mais fácil? É necessário Diálogo.

Julien Ossola, 6 de Janeiro de 2009

Porque Recém Adultos Não Casam

De um lado da cidade, Marisa experimentava seu vestido de noiva pela enésima vez. Do outro lado, Guilherme fazia pegação com homens na Praça da República. Os dois eram noivos, obviamente, e casariam-se no fim de semana. Marisa estava tão deslumbrada com a "idéia" do casamento que nem ligava mais para nada, e Guilherme estava tranqüilo, pois casaria-se e viveria na penumbra alimentando seus outros desejos para o resto de sua vida.
Detalhe, ambos eram recém adultos.

Estamos em pleno século 21. Antigamente, um homem com seus vinte anos já estava noivo, mas não por vontade própria, simplesmente porque casamento era status. A sociedade era muito mais hipócrita naquela época (veja bem, muito mais, ela ainda é) e pressionava muito as mulheres para um casamento, e os homens. Claro, eles só transavam depois do casamento, ou seja, não aguentavam esperar muito. É por isso que nossos avós ainda estão juntos (mesmo que estejam mortos), não é porque se amavam, é porque TINHAM que ficar juntos.
Hoje em dia o cenário mudou. Ninguém mais quer casar. Todo mundo quer curtir. Para alguns, isso é imaturidade, mas se analisar bem, recém adultos não devem casar de jeito nenhum. Eles vão na onda dos outros, casam, fazem festas exuberantes, altas declarações de amor, e acabam se separando logo depois. Por incrível que pareça, são os gays que casam mais rápido, porque para eles é conveniente. Os heteros tendem a ficar solteiros.
(aposto a cara da esposa nova quando ela ler isso. Hahaha. Seu marido é gay, amor, sinto muito)
Toda generalização é uma piada, e você leitor inteligente, sabe disso. Enfim, prosseguindo...
Geralmente com 20 anos ninguém tem propriedade, ninguém tem carro, ninguém tem porra nenhuma. Mas, o desejo intenso de ser feliz acaba levando essa pessoa a conhecer outra pessoa.
O cara, conhece a mulher, e ambos se apaixonam loucamente. O cara tem esse desejo machista de ter algum espécime do sexo feminino limpando o chão de sua casa, e a mulher tem essa vontade de vestir de branco só para suas amigas verem e ela se sentir o máximo por uma noite. Conclusão, eles noivam. E se casam.
Claro que na igreja, durante a cerimônia, ocorrem as dúvidas, ocorrem os devaneios. Um pouco antes de entrar, a noive aparece nervosa diante do espelho, e o homem olha para todas as mulheres e pensa: "Caralho, vou mentir perante Deus hoje."
Então ele entra, e em seguida, ela entra, triunfante. Todo mundo olha, fingindo que tá adorando, doido pra aquilo acabar e comer na recepção. Os noivos se aproximam, o padre fala o seu texto de sempre, enquanto a noiva pensa algo como "Ah eu to linda, tá todo mundo me olhando com inveja, eu to tão gostosa, eu arraso de branco" e o noivo algo do tipo "QUE PORRA É ESSA!"
Claro que como ele está numa igreja, na hora do "PORRA" ele pensou mentalmente um "píííííííí"
Então, ambos dizem sim.
Ambos se beijam.
Todo mundo comemora. (COMEEER! \O/)
E é isso. Eles vão se autodestruindo e permanecem juntos pela hipocrisia do casamento.
Ou não, o divórcio é muito comum.
Bah, de qualquer forma, só case se você for rico.
Ou se a pessoa for rica. HAHAHA.
Fui.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sexo entre Adultos

Antes da fase adulta, o sexo é algo novo, divertido, sem restrições, simplesmente movido à curiosidade e hormônios borbulhando. A fase adulta (deveria pelo menos) ameniza os hormônios e faz com que o corpo entenda o sexo de uma forma mais instintiva: Sou um macho, preciso copular o maior número de fêmeas (ou outros machos, dependendo) possível para não comprometer a espécie. Claro que quando isso chega no cérebro embaralha tudo e a ultima coisa que fazemos é sexo para não comprometer a espécie, mas pelo menos, biologicamente é isso que acontece.

Quando a gente compara nossa primeira vez com o sexo depois de adulto a gente percebe inúmeras diferenças interessantes.
A primeira é que o sexo não é desajeitado. A gente sabe exatamente o que quer, como fazer, e porque fazemos. Antes, a gente mal sabia nossos próprios fetiches.
A segunda é que o sexo depois de adulto é mais rápido. No caso dos héteros, eles não precisam ficar uma hora cortejando uma mulher para conseguir, afinal, a ladainha do "primeira vez especial" já foi quando ela tinha 15 anos.
A terceira é que o sexo se torna menos necessário, e mais freqüente. Pode não fazer sentido, mas faz. XD

Lembro-me bem do dia em que pela primeira vez eu fiz sexo como um adulto. Foi péssimo na realidade, mas foi bizarro. Mas em vez de contar essa história, contarei a de uma amiga, que é bem mais interessante.

Laís saia do trabalho, quando passou pelo porteiro do prédio onde trabalhava. Ela já havia notado a troca de olhar, e a aliança no dedo dele. Ou seja, homem casado, NÃO. Ainda assim, era agradável para o ego dela aquele cara estar interessado. Um belo dia, enquanto ela descia, ele a abordou no corredor.
Quando se é adulto, o sexo acontece em qualquer lugar.
Ele a levou para um banheiro no fim do corredor, e ela foi tentando se esquivar dele durante o caminho. "Não... não..."
Ele a colocou dentro do box e foi virando-a, enquanto ela negava (falsamente) "Não.. não.. nã..calma ai, o zíper.. não...!"
Bem, depois, eles nunca mais se falaram. Não tinham vínculo nenhum. Transavam, vez ou outra, mas era só isso. Laís nunca se sentiu tão adulta!

E usada.
Ela não se sentiu usada, ela usou também.
Hm, faz sentido.

Adultos não tem pais. Adultos SÃO pais (de si mesmos)

O adulto não pede permissão, pois o adulto é adulto, logo ele tem que se permitir ou não. Claro que isso implica na fonte de renda, ou seja, o adulto não é bancado por ninguém, exceto por ele mesmo.
Assim que me descobri adulto, corri para conseguir um emprego. Adultos desempregados são patéticos, mesmo quando a causa é a falta do emprego. Todo mundo ao meu redor estava encaminhado na vida, menos eu. Nunca tive uma vocação, na realidade, e tudo que eu era bom em fazer simplesmente não dava dinheiro (odeio esse termo). Não ia ser utópico e cair na onda do "siga seu sonho e seja feliz", pois seu seguisse meu sonho ele ia parar bem embaixo da ponte da rosinha, olhar pra mim e dizer: Demorô, primeiro apê do viaduto!
Eu penso: Não.
Então, me entreguei ao subemprego.
O que você entende por subemprego? Pense no Bob's.
Pensou?
Subemprego.
Claro que Bob's era demais pra mim. Todas aquelas coreografias, aqueles códigos bizarros sem parar e aquele stress todo (sem contar no inferno que é a "Revelação Bob's, já pensou? Ter sua pior foto, na pior iluminação possível, sem nenhuma edição, com todas as marcas expostas, na parede do Bob's pra cidade inteira durante uma semana? Nãããão!!!!) e claro, ganhar muito mal. É o mesmo princípio para loja de sapatos, mas o melhor subemprego que eu achei foi uma loja de roupa, não preciso citar o nome. Seria perfeito, um salário interessante, comissão em cima das vendas (as roupas eram caras, a loja era cara, do tipo que você vende uma bolsa e paga o aluguél e o salário da faxineira), era perfeito. Então lá fui eu, todo investido no look, todo trabalhado na autoestima (adoro gíria de beesha UHAUA) e entrei na loja, fazendo carão.
"Poderia falar com o gerente?" eu perguntei.
"Aham, mas ela nao tá ai não." Respondeu a beesha esnobe que trabalhava lá. Reparei na hora que ela usava uma calça da Osklen. Em outra loja. Que horror.
"Você sabe onde ela foi?"
"Não"
"Você sabe que horas ela volta?"
"Não"
"Porra, minha filha, você vai rodar! Não sabe de merda nenhuma!"
...
Tá, eu não falei aquilo, mas a vontade veio. Engoli em seco e esperei, esperei, esperei.
Até que a mulher apareceu. Fui todo feliz entregar meu currículo pessoalmente, falar um pouco de mim, quando ela pergunta:
"Onde está sua lista?"
"Lista?" Eu respondi. "Que lista?"
"Hahahaha." (aquela rizada ACABOU comigo) "Para trabalhar aqui, você tem que ter uma lista de clientela, meu amor. Arruma uma lista e volta depois.
...
Lista de clientela? Tá zoando com a minha cara. Me retirei, e na saída, olhei bem para o Bob's.
Bob's.
Naaaaah...
Sai do shopping e voltei pra casa.

Acordando NA FASE ADULTA

É de manhã... o sol vai entrando pela janela (exceto aqui em casa, eu tenho o azar de morar virado pro sol de meio dia) e a gente acorda quentinho, gostosinho, confortável (bem, não sei disso porque eu tenho insonia), enfim. Acordar é um ato atemporal: Bebês, crianças, jovens, e nós, adultos, acordamos da mesma forma. O que muda é a responsabilidade PARA acordar. Bebês acordam por que se não acordarem, estão mortos. HAHAHA. Crianças acordam porque tem que brincar a manhã toda até dar a a hora de irem para a escola. Jovens acordam cedo porque estudam de manhã. E os adultos? Acordam porque são eles quem preparam o café dos jovens, são eles quem pagam as contas da casa, são eles quem trabalham, enfim, quando se é adulto, acordar se torna uma obrigação.
Acordar sábado ainda pode? Bem, depende, se a pessoa trabalhar em algum concurso publico interessante (tipo 4 horas por dia, segunda a sexta, 4mil por mes) pode até faltar o serviço durante a semana. Mas nós, meros mortais largados à mercê do subemprego, simplesmente nem no domingo acordamos tarde direito, pois o costume de acordar cedo todo dia meio que faz nosso corpo não relaxar mais.
Engraçado, só agora, depois de escrever isso tudo eu percebi como esse assunto é inútil. Só to escrevendo porque acabei de acordar e curtir minha geladeira nova.
(sim, eu fiquei igual um pateta abrindo e fechando, ouvindo o barulhinho do congelador 'fuuuuuuuuuuu')
Enfim, é isso aí. Deixa eu brincar no pc aqui. Fui.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Como funciona o álcool na FASE ADULTA

Sim, agora que eu sou adulto, bebida alcóolica tem outro sentido. Eu já podia beber antes de ser adulto, com 18 anos, mas já bebia bem antes disso, com meus quatorze para quinze. Naquela época, bebida alcoolica era algo ruim que a gente bebia assim mesmo pra ficar doidão e fazer besteira que a gente não faria sóbrio. (Na verdade, faria assim, mas fazer bebado é mais cool, sem contar que você pode simplesmente jogar a culpa na bebida depois de fazer O QUE VOCÊ QUIZER).
Agora é diferente. Com meus 20 anos de idade, meu paladar realmente tem que gostar do sabor da bebida.
D:
Isso não aconteceu. XD Ainda. XD
Bem, pelo menos hoje eu sei apreciar cerveja, e licor.
Agora, vodka pura ainda tem gosto de etanol,
Rum ainda tem gosto de chão de banheiro de buteco e Caxassa ainda é algo que me tira lágrimas quando bebo meio dedo de um copo.
Entretanto, isso é o que ocorre dentro de mim, ninguém precisa saber.
Então eu fico no carão aproveitando a bebida pra todo mundo achar que eu realmente gosto daquilo Fico imaginando, será que na realidade ninguém gosta e todos estão fingindo? Seria no mínimo bizarro. XD
Minha última experiência com álcool foi no reveillon, quando compramos uma garrafa de Cidra para abrir na virada. Meu amiguinho Byron, muito bêbado, simplesmente abriu antes da hora e acabou com os nossos sonhos, desejos e promessas, jogando todas as expectativas para o ano novo no ralo. Em seguida, ele passou mal no chão e não viu nenhum dos fogos no céu. Deus é dygno, minha gente.
Minha amiga (que eu amo) Jéssica enxeu a cara também, mas por algum motivo ela ficou altamente falante, elétrica, e queria beijar todo mundo na boca, idepentende do sexo. Aquilo foi muito divertido. Sem falar nas caretas hilárias que ela fez em TODAS as fotos que tiramos.
Eu, por outro lado, nao fiquei bebado, nao passei mal, nao senti nada, NADA, só mijei (nome feio né, urinei) o tempo todo. Acho que vodka nao faz mais efeito em mim. Preciso de absinto.
Aiaiai. Mas é a vida. Nada melhor do que drinks exóticos com gostos bizarros e que te deixam tonto e alegres. Nada melhor.

Cheguei!

Que delicia é essa sensação. Não estou em um carro, ou em um ponto de ônibus pegando chuva na madrugada sem saber se a van vai passar ou não, sem incertezas, apenas confortável na cadeira escrevendo um post no blog. Claro que como agora eu sou adulto, nada me abala como antes, e todas essa situações (que vou contar por partes nos futuros posts) foram facilmente resolvidas. Mas foi TENSO.
A primeira coisa que eu fiz quando cheguei foi pular na cama e apagar. Vim dormindo durante todo o percurso de volta, mas foi bem quebrado (parei em 2 cidades diferentes pra chegar até aqui). Acordei meio zonzo, comi algo, e vim escrever.
Fica sim, aquela saudade. E de certa forma, não me arrependo de nada. Foi um reveillon inesquecível, insubstituível. Agora é morrer de rir com as lembranças, boas e ruins.
É, isso tá parecendo corrente de ano novo de Orkut. Boring.
Até mais.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Primeiro Post

Faz um tempinho que eu tinha 17 anos. E naquela época era um adolescente. Isso significa literalmente sexo, drogas, e rock and roll, então eu posso dizer que curtia muito uma bagunça, bebida alcoolica e sexo casual simplesmente por ser coisa de adolescente. Então eu fiz dezoito anos e finalmente me tornei maior de idade. Não digo adulto, ainda não, mas livre, de certa forma. Qual foi a primeira coisa que eu fiz? Entrei na sessão pornô de uma locadora. Claro que eu mostrei pra balconista a minha identidade. Depois eu assisti um filme de terror no cinema, e em seguida, fui doar sangue.
Mais um tempo depois, os dezenove anos passaram despercebidos, e então, finalmente cheguei nos 20. Pronto, sou adulto!
O que mudou?
...
Nada.
XD
Isso é uma doidera, na verdade. Você sabe que está na fase adulta, mas seu corpo parece que não sabe. Sexo, drogas, e rock and roll ainda é muito excitante para mim. Isso não pode ser certo. XD
Mas vou levando minha vida. Enquanto escrevoisso, um amigo meu me conta alguma historia sobre alguns dos amigos dele terem se pegado e se odeiam agora, algo assim. A prima do meu amigo que é sobrinho da dona da casa que eu estou (vim para o reveillon) está sentada no chão e a irmã mais nova dela está de patins do lado de fora. Acabou o cigarro e eu prometi parar de fumar em 2011. O notebook (que não é meu D :) está no meu colo, a internet móvel tá uma droga, enfim. Vamo levando. Ainda vou descrever como foi meu feriado. XD