terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Adultos não tem pais. Adultos SÃO pais (de si mesmos)

O adulto não pede permissão, pois o adulto é adulto, logo ele tem que se permitir ou não. Claro que isso implica na fonte de renda, ou seja, o adulto não é bancado por ninguém, exceto por ele mesmo.
Assim que me descobri adulto, corri para conseguir um emprego. Adultos desempregados são patéticos, mesmo quando a causa é a falta do emprego. Todo mundo ao meu redor estava encaminhado na vida, menos eu. Nunca tive uma vocação, na realidade, e tudo que eu era bom em fazer simplesmente não dava dinheiro (odeio esse termo). Não ia ser utópico e cair na onda do "siga seu sonho e seja feliz", pois seu seguisse meu sonho ele ia parar bem embaixo da ponte da rosinha, olhar pra mim e dizer: Demorô, primeiro apê do viaduto!
Eu penso: Não.
Então, me entreguei ao subemprego.
O que você entende por subemprego? Pense no Bob's.
Pensou?
Subemprego.
Claro que Bob's era demais pra mim. Todas aquelas coreografias, aqueles códigos bizarros sem parar e aquele stress todo (sem contar no inferno que é a "Revelação Bob's, já pensou? Ter sua pior foto, na pior iluminação possível, sem nenhuma edição, com todas as marcas expostas, na parede do Bob's pra cidade inteira durante uma semana? Nãããão!!!!) e claro, ganhar muito mal. É o mesmo princípio para loja de sapatos, mas o melhor subemprego que eu achei foi uma loja de roupa, não preciso citar o nome. Seria perfeito, um salário interessante, comissão em cima das vendas (as roupas eram caras, a loja era cara, do tipo que você vende uma bolsa e paga o aluguél e o salário da faxineira), era perfeito. Então lá fui eu, todo investido no look, todo trabalhado na autoestima (adoro gíria de beesha UHAUA) e entrei na loja, fazendo carão.
"Poderia falar com o gerente?" eu perguntei.
"Aham, mas ela nao tá ai não." Respondeu a beesha esnobe que trabalhava lá. Reparei na hora que ela usava uma calça da Osklen. Em outra loja. Que horror.
"Você sabe onde ela foi?"
"Não"
"Você sabe que horas ela volta?"
"Não"
"Porra, minha filha, você vai rodar! Não sabe de merda nenhuma!"
...
Tá, eu não falei aquilo, mas a vontade veio. Engoli em seco e esperei, esperei, esperei.
Até que a mulher apareceu. Fui todo feliz entregar meu currículo pessoalmente, falar um pouco de mim, quando ela pergunta:
"Onde está sua lista?"
"Lista?" Eu respondi. "Que lista?"
"Hahahaha." (aquela rizada ACABOU comigo) "Para trabalhar aqui, você tem que ter uma lista de clientela, meu amor. Arruma uma lista e volta depois.
...
Lista de clientela? Tá zoando com a minha cara. Me retirei, e na saída, olhei bem para o Bob's.
Bob's.
Naaaaah...
Sai do shopping e voltei pra casa.

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