segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vinte e Poucos Anos

Não tive uma festa de aniversário grandiosa quando completei meus vinte anos. Queria ter tido, lógico, só se faz 20 anos uma vez na vida. Pensando bem, todos os anos só são feitos uma vez na vida, mas 20 soa mais cool.
Enfim.
De qualquer forma, quando fiz meus 20 anos, ninguém lembrou, ninguém disse nada, nada no meu corpo mudou, nada na minha mente, eu era apenas o mesmo de antes, mas agora, mais próximo da data da minha morte.
Fiquei revoltado e resolvi sair assim mesmo. Sozinho. Para qualquer lugar, sei lá, a Cantina do Amorim.
Claro que foi extremamente depressivo eu num lugar desses, com música ao vivo, comendo a entrada que vem de graça e bebendo um copo d'água, e tentando me convencer à todo momento que eu estava bem.
Então a idéia do inevitável me ocorreu. ps: A culpa é do Almodóvar.
Suicídio.
Para quê viver?
Minha família nem se lembrou do meu aniversário. Nenhum dos meus amigos tinham me ligado. E eu estava lá, vinte anos, desempregado, sozinho no meio da rua, totalmente desiludido com o amor, totalmente triste com as pessoas em volta. Super iria me matar.
Fui andando lentamente em direção à ponte da Rosinha, pois um desastre de lá seria muito mais glamuroso. Algumas pessoas repararam meu rosto de depressão que eu estava forçando, só para dar climão. Subi em cima do... como é o nome? Parapeito? Ah sei lá, vocês entenderam, vou chamar do que eu quizer. Subi em cima da paradinha da ponte, da ponta da ponte (hahaha que péssimo) e fechei os olhos.
O transito PAROU.
Imagine, um milhão de pessoas gritando para mim, prestando atenção em mim, aquelas pessoas patéticas que emanam felicidade estavam ali, perdendo tempo de suas vidas em minha função.
E na real? Eu nem ia me jogar mesmo.
Um policial se aproximou e começou um discurso totalmente Xuxa sobre existencialismo, e depois uma mulher veio dar uma de Disney mandando eu não desistir dos meus sonhos. Mas então, uma criança se aproximou e disse algo tão profundo, tão intenso, que eu quase desequilibrei e caí. Ela disse "aqui, quem quer se matar, morre. Sai fora daí, babacão." Ela tinha razão. Bah. Era só o meu aniversário de 20 anos. Who cares.
FUi embora. CHeguei em casa, abri a porta,
e
todos
estavam
la.
Era uma festa surpresa.
Corri na cozinha, peguei uma faca e enfiei no peito.
Tá, eu não fiz isso.
Enfim.

3 comentários:

  1. Adoro sua corrente dramática, me sinto atuando em seus textos.

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  2. "Adoro sua corrente dramática, me sinto atuando em seus textos."

    Adoro exatamente isso, e adoro o jeito do Rei de perceber as coisas, foi exatamente assim que me senti lendo o texto. Virei aqui sempre depois dessa. =].

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  3. Amigoo adoro suas historias! Desde sempre!
    Beijoos

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