quarta-feira, 30 de março de 2011

RABISCOS [parte 1| - Possessão

RABISCOS [parte 1| - Possessão


Caminhava lentamente. Cada passo que dava diminua a distância do local onde, provavelmente, apagaria. Tinha que ser tudo o mais rápido possível, da maneira mais perfeita e na hora exata. Estava sozinho. Ninguém sabia de nada, eu não tinha pra quem contar. A praça estava deserta. Era ali. Parei e me sentei, para analisar delicadamente e cuidadosmante o lugar... cada canto, cada árvore... a vizinhança silenciosa, a ausência de pássaros e a sujeira impregnada nos bancos de concreto. Folhas recém-caidas do outono que se findava ainda estavam estiradas por toda a parte, mas no fim das contas isso não atrapalharia. O único infortúnio seria a rua. Era toda de paralelepípedo; Não havia asfalto. A hora estava próxima, e minha tia chegaria com Susane a qualquer momento. Lembro-me que quando pensei nela fiquei com raiva. Uma raiva fora do comum. Não sentia mais nada por ela, mas quando a propus uma noite de sexo, ela ficou indignada. Ela não deveria, por Deus! Eu era o homem que ela amava. Eu terminei com ela, mas ele deveria continuar amando a mim. Não suportoava vê-la com outra pessoa, ela era minha. Entretanto, não houve obediência. Ela segui sua vida. Estava vendo a minha Susane reconstruir a muralha que eu derrubei meses atrás. Isso não ia acontecer, eu não ia deixar. Por isso estava ali. Por isso decidi fazer o que tinha que ser feito. E seria ideal, ninguém jamais iria ser contra minha decisão se soubessem meus propósitos. Eu ia libertá-la. Do pecado, do medo, do ser humano. Ela me agradeceria... claro, porque não? Ela sofre... ela não é feliz. Eu daria a felicidade a ela... ela iria poder sorrir de novo. Isso prova que não sou rancoroso... que eu a perdoo, por ter me desobedecido. Foi quando me levantei que o céu se escureceu. Voltei caminhando, até a casa, pois a festa logo começaria, e eu deveria estar apresentável. Eu devo. Eu deveria... eu deverei. Eu farei. Eu fiz. Ele me disse para fazer. Ele não se engana. Ele nunca se enganou. Ele me deu a liberdade. Eu a libertaria, enfim.

continua.

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