quarta-feira, 30 de março de 2011

RABISCOS [parte 2| - Alusão.

Ela olhava fixamente para mim. Aquilo estava, de certa forma, me deixando assustado, apavorado. Sabia que deveria acontecer o contrário: Eu era quem devia assustá-la. Mas o modo com o qual ela me encarava... o modo com o qual aquelas pálpebras piscavam, e sua íris se movia, freneticamente, parecendo analisar cada parte do meu corpo, estudando cada movimento que eu fazia... Parei de me mecher. Vi brotar algo que se assemelhava a um sorriso no rosto escuro de minha tia, e enfim, ela parou de sorrir. Foi cumprimentar os outros convidados. Entrei.
A casa estava lotada, as pessoas conversavam alto e pareciam não se importar com mais nada a não ser a bebida que era servida. Caminhei até o piano. Depositei meus dedos limpos sobre as teclas... e comecei a tocar. O silêncio veio instantaneamente. Todos olhavam para mim com uma cara de espanto. Estava tocando a música mais horrível e desafinada que aprendi, e assim a festa inteira parou. Minha tia veio correndo avisar-me que não deveria tocar daquela forma, mas eu apenas fingi estar bêbado. Encenei um desmaio e ela me levou para o quarto. Estava tudo acontecendo conforme o previsto: Levantei-me da cama quando ela saiu, e fui até o quarto de Susane. Ela se arrumava. Entrei sorrateiramente, e efui caminhando até o banheiro. Olhei em volta e não havia nada ali que me service; Ela pentiava seus cabelos na frente de um espelho, mas ainda assim não era possivel ela me ver.
Peguei o abajur, e quando ela ameaçou gritar, golpei sua cabeça fortemente. Ela desabou no chão, atordoada. Abaixei, e a agarrei pelo pescoço, com o intuito de desacordá-la. Foi o que aconteceu. Ela apagou, e tudo que eu precisava fazer era arrastá-la até o parque. O paralelepípedo da rua iria atrapalhar-me, mas não me importava. Ele sabia o que me mandava fazer. Joguei o corpo pela janela. Por causa do extase da festa, ninguém reparou em nada. Pelo menos era isso que eu pensei. Escalei até o térreo da janela do quarto, e fui arrastando Susane pela rua.

Conforme previsto, ela foi deixando uma trilha de sangue pela rua. Caminhei com ela até o bosque, e mais adentro, até a margem de um riacho que ali havia. Em seguida, a enrrolei numa toalha, e voltei. Caminhei até o parque. Deitei-a no banco, retirei as suas roupas, e a penetrei. Não demorou muito até que veio minha ejaculação. Quando virei para trás, entretanto, havia alguém. Era Natália. Ela viu tudo.

– Di... dimitri?

– Natália. - disse – Você não viu nada. Você não sabe de nada. Dê meia volta e volte para a festa, por favor.

– Como assim não vi nada?! Como assim?! Dimitri! O que você fez?! O que está acontecendo aqui! Quem é... não me diga que Susane...

– Cale-se, Natália. - Ela começou a chorar. Ele começou a rir. - Se você não esquecer o que viu, serei obrigado a matá-la.

– Dimitri! Para com isso por favor! Para! PARA! POR QUE VOCÊ TÁ FAZENDO ISSO?


– Fale baixo, Na...


E cambaleei, chocando-me de modo violento no chão. Minha perna doía, e depois vi que havia sido golpeado no rosto por Natália, que chorava freneticamente. Ela descobriu Susane, revelando seu corpo nu e sujo de esperma. Natália gritou, e eu a tombei com meus pés. Ela caiu de cabeça, e eu tinha de agir sem calma. Quebrei o pescoço dela. Eu não contava com mais uma vítima, e certamente isso iria por tudo que eu havia planejado a perder. Eu precisava rever meu plano antes que alguém visse. Logo a festa acabaria, e eu infelizmente tinha pouco tempo para pensar. Mas pensaria. Pensei. Penso. E ri.

Continua.

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