quarta-feira, 30 de março de 2011

RABISCOS [parte 4| - Aliteração.

Ele sabia de tudo. Ele era o intermediario. Ele sorria ternamente para mim. Entretanto suas mãos me golpearam, e eu caí. Ele se abaixou do meu lado e disse baixo: " Eu sei o que você fez. Eu vi. Eu vi tudo... ou você acha que sou burro?"
Então estremeci. Aquele não parecia o Javali. Era demasiado grosso, e prepotente. Meu nariz sangrava e minha vista estava embaçada, mas tentei fixar meu olhar em Miguel, que sorria como se eu fosse seu filho.
" Quem é você?" Eu disse. Precisava ter certeza.
" Seu tio, Miguel. Eu vi tudo o que você fez. E pretendo denunciá-lo."
Não era ele afinal.
"Por favor, não faça isso... você arruinará o ritual..."
"Ritual?" Miguel riu. Aquilo me deixou furioso. Ele golpeou minha perna com uma pedra, e eu cai. Em seguida me agarrou pelo pé e foi me puchando, até que eu ouvi um barulho de água intenso, seguido por um grito de pavor de Miguel. Segundos depois estava tudo quieto novamente, e apenas restava sua própria respiração. Achei a cena curiosa. Ele tinha medo de água. Era a fobia mais extrana que eu já tinha visto, mas aquilo poderia ser divertido. Pensei em várias coisas mas o Javali não me disse o que fazer. Miguel se secou, e eu me levantei. Ele olhou para mim perpelxo, e então o golpeei, fazendo-o cair dentro dágua. Não era fundo o suficiente para ele se afogar, pois o riacho que corria ali devia ser pouco maior que eu. Ele começou a se debater, e eu segurei a sua cabeça para dentro d'água. E ri. Loucamente. Era delicioso vê-lo morrer da pior forma possível. Era um orgasmo intenso e incomensurável, algo divino, algo que me fez sentir poderoso. Ele ficaria orgulhoso de mim, mas me puniria, por achar que Migual era um intermediário. Havia sim, algo estranho nele; Mas era apenas perspicácia. Deixei o cadáver boiar. Retornei, lentamente, para o que um dia foi uma mansão.
Vários feridos, e curandeiros tentando conter as queimaduras. A casa havia desaparecido.
Exceto ele. O Javali.

continua...

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