quinta-feira, 14 de abril de 2011

Crônicas de Antigamente [ parte I ]

I

Julien tinha uma força descomunal nos braços, devia ser a raiva, a dor, não sabia ao certo, apenas sentia o sangue escorrer de sua testa enquanto carregava Rodolfo pela perna, com outro buraco na cabeça.
O levou mais do que rapidamente para o palácio, lá Rodolfo confessaria.
– Onde está? – Julien perguntou. Rodolfo cospiu, ainda que sangue, mas o fez orgulhoso. Julien esboçou um sorriso sínico.
– Não vou dizer nada. – Rodolfo retrucou, e não desviou seus olhos de Julien por nenhum segundo, que abaixou logo em seguida.
– Você sabe... perguntar para você onde está é um mero passa-tempo. Logo descobrirão que estamos com você e virão aqui tentar te resgatar. Todo o Povo-de-Trás está escondido aqui e lá, e eles nem se deram conta. A estratégia foi perfeita, e você vai estar livre quando tivermos obtido o balde.
– Você nem tem certeza se o oráculo sou eu!
– Claro que eu tenho. Você próprio se entregou quando tentou fugir. Sua reação provou que é você que conhece a localização do balde.
– Eu não diriei nada.
– Bom, nesse caso... Sinto muito, Rodolfo. Maurício!

Maurício era um garoto daquela faixa etária, mas era gigante. Devia ter o dobro do tamanho de uma criança de oito anos, como todos eram, e suas mãos tinham a mão do tamanho de uma cabeça de um cachorro. Julien se afastou, enquanto Rodolfo engolia em seco.
– Tudo bem! Tudo bem, eu digo.
– Onde está? – Julien se apressou.
– No hotel.

Julien fez um sinal com as mãos, e de trás da Caixa de Gás sairam outros dois garotos, Marcos e Alexander, o oráculo do Povo-de-Trás. Julien se inclinou para frente.
– Atenção. O Povo-da-Frente escondeu o balde no Hotel. Ninguém sabe que temos conosco o Oráculo, mas entraremos no território inimigo. Estão todos com os báculos?
– Ju, não seria melhor que eu ficasse?
– Já falei, Alex, se você for, eles não desconfiarão que você é o Oráculo. Eles reforçarão o ataque aqui, para descobrir a localização do nosso balde.
– Isso faz sentido, Alex. – Marcos disse em seguida – Eu sei que você nunca usou um Báculo, mas lhe daremos cobertura.

Julien olhou de esguelha para Marcos. Não sabia o que era aquilo, mas sabia que era forte. Tinha oito anos afinal. Não sabia de muitas coisas.

– Então vamos! Maurício, esconda o oráculo inimigo em algum lugar menos visível, afinal, ele sabe que o oráculo é o Alexander.
– Tudo bem. – Maurício se apressou em carregar Rodolfo, ferido, para outro lugar. Julien pegou seu estilingue e seu chicote, e respirou fundo.
– Vamos atravessar o Além.

***

Julien, Alexander e Marcos atravessaram o Além, chegando na Terra Neutra, achando atípico não ter nenhum inimigo por ali. Estavam quase cruzando a fronteira, quando Marcos parou de súbito.
– Algum problema, Marcos?
– Tem algo errado. Deveria ter alguém aqui vigiando.
– Eles não esperam nosso ataque. Duvido que isso seja algum contra-plano. Não haverá reviravoltas.
– Sim, mas devemos tomar conta de Alex.
– Não se preocupem comigo. Eu sei que fazer se me capturarem...
– Sim, mas a pílula é só em casos extremos. Ainda que você revele a localização, conseguiremos contornar a situação. – Julien tentou tranquilizá-lo.
– Então, vamos adentrar? Sairemos na Zona 10 se formos por aqui, o Hotel fica na Zona 6, teremos que entrar pela frente, haverá um combate. – Marcos disse, e avançou para o território inimigo. Todos foram atrás.

***

Aquela era a terra Verdes Campos. O reino era divido em dois grandes clãs, o Povo-de-Trás, e o Povo-da-Frente. O que os separava era uma área mágica chamada Terra Neutra. Cada área tinha um ponto de conexão. As áreas do mundo eram separadas por zonas, onde cada um dos guerreiros vivia. Julien vivia na Zona 16, no Elo 003.
Cada clã tinha consigo um tesouro, chamado de O Balde. Dentro do balde, continha um determinado tesouro. Cada clan tentava, a todo custo, invadir o território inimigo para roubar O Balde, mas apenas o Oráculo de cada clan conhecia sua localização.
E lá iam, 3 crianças de oito anos, com pedaços da peu nas mãos, vestindo trapos, num condomínio de prédios, deixando sua imaginação ser mais importante do que a própria realidade.


CONTINUA...

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