quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Maldito Freio

São que horas? Onze e vinte né? Beleza.
Papai e meu irmão foram no cinema, ver Capitão América, estou em casa sozinho com mamãe, sem ideia do que postar, sem inspiração, nem nada. Não estou deprimido, se eu estivesse, teria um milhão de insights agora (só acontecem quando estamos profundamente tristes XD), então vou aproveitar o embalo para contar uma história triste que não aconteceu comigo quando eu era criança.

Eu tinha cinco anos... hm. Acho que em primeira pessoa é tosco né? Em terceira pessoa vai ficar mais conceito. O garoto tinha cinco anos. Ele era do tipo pivete, que não parava quieto um segundo. Da turma, era a criança mais bagunceira, e mais sem-limites. Ele subia nas árvores, pulava os muros, entrava na casa dos coleguinhas rycos só de bermuda e com os pés pretos de lama. O garoto era uma criança digna de propaganda do Omo, e era absurdamente feliz.
Tinha um garoto no Bloco 17... Melhor dar nomes né? Se eu chamar todo mundo de garoto vai ficar confuso para leitores menos experientes. (hoho) Tarsis era um menino que vivia no bloco 17, dois anos mais velho que o Juliano (o garoto anterior para quem não conseguiu acompanhar), mas ainda assim eram muito próximos. Compartilhavam os mesmos assuntos (parando para pensar, quais os assuntos de uma criança de cinco anos? XD), as mesmas brincadeiras idiotas, davam risada quando alguma velha caía e ficavam jogando pilha gasta na janela dos vizinhos. Eram amigos que se mereciam. Entretanto, rolava uma certa rivalidade entre os dois, perante o resto dos amiguinhos, que por serem rycos e educados, não faziam NADA. Leia-se: NADA MESMO. Não encostavam o dedo na terra, com medo de germes. Essas coisas.
Um belo dia estavam todos no meu bl.. no bloco do Juliano, brincando de saltar os degraus da escada. Juliano então disse:
"Quer ver eu saltar do décimo oitavo degrau até o chão?"
Tarsis riu baixo e se aproximou.
"Duvido!"
"Então olha só."
Juliano fez um suspense qualquer, e fingiu que ia pular, mas não pulou. Deu uma risada baixa e e voltou para a posição em que estava. Todos lá em baixo (os rycos e poderozos) apenas riram também, mas Tarsis não riu.
Juliano até hoje não entende o que se passou na cabeça do garoto naquele momento, ele tentou várias vezes descascar a coisa, tentar analisar por diversos ângulos, mas foi inexplicável. Tarsis se posicionou atrás de Juliano e disse.
"Ah não. Agora tem que pular" E o empurrou.
Juliano caiu fazendo uma performance a la Usurpadora rolou loucamente, dezoito degraus, quando seu ouvido direito acabou penetrando num freio de uma bicicleta que estava encostada na escada. A manete rasgou o ouvido dele, chegou ao tímpano e com a pressão da queda, puxou a cabeça dele para trás, enquanto o corpo continuava a cair.
Juliano alcançou o chão, atordoado, o ouvido partido em dois, muito sangue, e permanentemente surdo.
Tarsis sumiu do condomínio e nunca mais foi visto. Os amigos rycos correram para suas casas e Juliano ficou lá gritando até que uma vizinha qualquer o viu, e deu ajuda.

Moral da história: Se for pular de 18 degraus, PULE. A não ser que esteja sozinho.

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