segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Carne de Gaivota

Carne de Gaivota

Seus passos eram apressados, e seu peito parecia não suportar mais guardar seu coração, que palpitava incansavelmente em um ritmo que Horácio jamais sentira. Seu braço direito descrevia um movimento débil enquanto seus lábios inferiores tremiam ao toque do ar quente, fazendo sua aparência se tornar de alguém que se encontrava em estado mental deplorável — e comprometido. A beira-mar estava lotada de turistas e pessoas que se exercitavam pela manhã, e o restaurante tinha acabado de abrir. Horácio entrou correndo, sendo um dos primeiros clientes, dirigindo-se direto ao balcão.

— Em que posso ajudá-lo, senhor? — Respondeu o garçom, no seu ritmo matinal rotineiro e com sua cordialidade profissional, mas Horácio ignorou a frase e acabou atropelando-o.

— Gaivota. — Horácio disse, ofegante — Carne de Gaivota.

O garçom fitou-o com uma ligeira perplexidade, mas acenou com a cabeça e retirou-se. Os pés de Horácio tremiam e balançavam compulsivamente, e a todo momento durante a espera do prato, Horácio consultava o relógio. Passou as mãos pela cabeça suada, e tentou um exercício de respiração para tentar relaxar o corpo.

O que Horácio não sabia, no entanto, era que de longe, uma mulher o assistia. Cristina começou a observá-lo desde que o viu na calçada, de frente para a praia, visivelmente perturbado, mas dirigindo-se a um restaurante. Era chefe do departamento de Homicídios da Delegacia local, e acabava sendo paranóica ao ponto de achar qualquer comportamento fora do usual um comportamento suspeito.

O prato de Horácio chegou, e Cristina percebeu a alteração em todo o seu corpo. Ele parecia como uma criança, que ganhava uma bola pela primeira vez; A excitação percorreu sua espinha enquanto ele levou o primeiro garfo à boca. Após engolir, fez uma expressão de medo à carne de gaivota, e levou uma segunda garfada. Horácio deixou o garfo cair, e fechou os olhos, como se algo que ele estivesse tentando evitar acabara acontecendo. Levantou-se, e se retirou, deixando o prato para trás, e no momento em que o garçom levantou para ir cobrá-lo. Horácio puxou uma arma do bolso, levou a cabeça e atirou.

Cristiane levantou-se correndo, enquanto o cadáver atingia o chão. Os garçons gritaram e os outros clientes se abaixaram com medo de um tiroteio. Cristiane correu para o corpo, exibindo suas credenciais em um berro firme, enquanto lutava como choque em seu corpo e a complexidade do que acabara de presenciar. Simplesmente não fazia sentido. Observou no dedo dele uma aliança de ouro, será casado? Ou separado? e observou sua barba mal feita e seu cabelo cortado de forma displicente. Ligou para a polícia enquanto sua mente tentava estabelecer uma relação, mas era simplesmente impossível. Olhou para os lados, e sem com que ninguém percebesse, furtou o celular do homem, caído no chão; Era um modelo antigo, daqueles do tamanho de um controle remoto, e teve um pouco de dificuldade para esconde-lo, mas conseguiu com êxito.

A polícia fechou o local, enquanto ambulâncias e legistas chegavam. Cristiane apresentou-se, e reconheceu os inspetores que trabalhavam consigo.

— Você presenciou a cena do crime? — Bomba, como assim era conhecido, nunca deixava-se abalar; Qualquer caso era absurdamente divertido e devido ao seu grande peso, e raiva descontrolada, era o favorito de Cristina naqueles casos mais sombrios — Que sorte. Poupou-nos muito trabalho, se viu quem atirou.

— Não foi um crime. — Cristina acabou soando ligeiramente apática, mas não foi de propósito; Já vira muita coisa na vida, mas nada tão perturbador como aquilo — Foi um suicídio.

— Um suicídio? — Bomba ficou sério — Então... Por que mandou nos chamar? Não teremos a menor utilidade aqui, um suicida é igual a todos os outros... dinheiro, mulheres... ou homens — E riu. Cristiane fitou-o séria, enquanto o resto de sua equipe vinha chegando.

— Apesar de ter sido um suicídio... foi algo muito suspeito. Muito suspeito mesmo. Vamos conversar em outro lugar? Não quero ficar aqui por mais nenhum minuto.

Cristiane, Bomba, Fernando e David foram até um bar que sempre freqüentavam, quando tinham que refletir sobre algum caso sério ou quando simplesmente queriam esquecer de suas vidas, todas focada sem seus problemas pessoais e afogadas nas mesmas mágoas clichês de sempre, ou mulheres ou dinheiro, ou ambos; Sentaram-se e pediram uma cerveja, enquanto aos poucos os outros inspetores começaram a notar o comportamento alterado de Cristiane.

— Um homem entra num restaurante na beira-mar, pede carne de gaivota; Come dois pedaços da carne, e em seguida, se mata. — Fez um breve silêncio — Por que?

— Cris... — David começou, olhando para os lados, como se procurasse apoio nos olhares confusos de seus colegas — Ele é um suicida. Tirar a própria vida já demonstra a loucura dele o suficiente, é meio irrelevante essa historia...

— Você tá querendo dizer — Bomba interrompeu — que ele se matou porque comeu a carne de gaivota?

— Sim. — Cris respondeu, ligeiramente satisfeita — Tinha algo na carne que ele comeu. Eu vi a expressão dele.

— Veneno? — foi o palpite de Fernando, mas que não acreditava muito naquilo tudo.

— Não acredito que tenha sido veneno... não sei, eu não faço idéia. O prato de Gaivota dele foi confiscado? Fiz essa solicitação assim que informei à polícia.

— Se você solicitou, então está. — disse David — Vou ligar para os legistas assim que puder, mas, Cris... suas suspeitas não tem bases sólidas. A polícia não vai poder investigar isso mais à fundo, e você sabe. O diretor geral vai dar o caso como encerrado, por se tratar de um suicídio... Não entendo o que foi que a perturbou tanto.

— Nem eu, David — Cris suspirou — Foi tudo muito rápido. O comportamento dele estava muito surreal. Acredito que ele não tinha a intenção de se matar, agiu como se tivesse sido obrigado. E de alguma forma, isso está diretamente relacionado à carne de gaivota que ele comeu.

— David tem razão, Cristina — Bomba virou o seu copo em um único gole — Ninguém te apoiará nisso. Provavelmente, não encontrarão nada na carne. Foi apenas um suicídio.

— Pode ter sido, mas tem algo errado. É uma intuição. Você me conhece, Bomba. Todos vocês. Algo ali me prendeu, acho que estou há tempos demais nessa profissão. Vou seguir essa investigação por conta própria, e ver o que eu consigo descobrir. Obrigada por terem escutado.

Cristina pegou um táxi e foi para o seu apartamento, sentindo-se exausta. Deitou na sua cama de casal, king size, no qual dormia sozinha. Olhou para o teto mas o teto parecia ignora-la. Tentou procurar algum detalhe despercebido mas não encontrou absolutamente nada.

— Você me entenderia se ainda estivesse aqui, Ricardo. — Cristina disse, em voz baixa, quando seu celular começou a tocar. Ela o pegou, lentamente, mas atendeu tendo um sobressalto quando viu que tratava-se da Delegacia.

— Detetive Cristina falando. — Ela atendeu, atônita.

Detetive, aqui é do Setor Forense. Não foi encontrado nada de anormal na carne, era apenas carne de gaivota, pura. Não havia nenhuma substância anormal, que pudesse provocar alucinações, ou confusão mental, nem veneno de nenhuma espécie.

De alguma forma, Cristina já esperava ouvir aquela resposta.

— Obrigada, Cíntia. — E desligou. Não estava na carne da gaivota, mas ela sabia que era a gaivota. Despiu-se, e entrou no banheiro.

Enquanto a água quente percorria a extensão de seu corpo magro, Cristina tentou por alguns minutos entender o que a fazia ficar tão paranóica naquele caso.

Curiosidade? Talvez. Mas curiosidade ela sentia com tudo, a todo momento. Nesse caso era diferente. Foi um homem que se matou. Como meu marido. Como Ricardo. Sim. E ela nunca descobriu os motivos. Ficou anos tentando convencer a polícia de que havia sido um assassinato, pela ausência de cartas pós-suicídio e pela ausência de sinais nos dias anteriores à tragédia. Mas nunca nada foi provado. E nunca será. Seria por isso que esse homem grudou na minha mente? Isso seria saudável para mim? Ela não saberia.

Mas descobriria.

Pegou a carteira, a chave do flat e desceu até a rua. Entrou em um táxi, e pediu que fosse até um escritório de telefonia móvel, no centro. Enquanto a corrida seguiu, Cristina ligou para seu escritório da Delegacia.

— Roberta, aqui é a Cíntia. Preciso de um favor seu, mas tem que ser off the record, se é que você me entende.

— É claro, Cris. Manda aí. Ninguém vai jamais ficar sabendo... é exame de DNA?

— Não. Preciso de todos os dados que você conseguir sobre um corpo que foi classificado como suicídio, ainda essa manhã.

— O cara da Gaivota?

Cristina empalideceu.

— Sim... — respondeu, hesitante — Se possível, um dossiê completo. Nome completo, idade, onde trabalhava, lugares que freqüentava; Se era casado, se tinha filhos, cidade natal, essas coisas.

— Ta. Para quanto tempo?

— Uma hora?

— Beleza.

Cristiane desceu do Táxi, e entrou no escritório. Jonas jogava um emulador de Snes em seu computador, quando levou um susto quando ela entrou.

— Calma, não sou seu chefe. — Cris sorriu.

— Ainda bem, gata, por que se fosse ele eu estaria fudido. — Minimizou o emulador, e a cumprimentou saudosamente — Quanto tempo faz, Cris? Três meses?

— Creio que sim. Desculpe não ter vindo antes, estou atolada de trabalho... inclusive, vim mesmo porque tenho um trabalho urgente, e preciso da sua ajuda.

— Sei. — Jonas sentou-se — E do que se trata?

— Vou conseguir nomes a qualquer momento... e preciso que você rastreie para mim o endereço de alguns números de telefone.

— Você tem o aparelho?

— Sim. — Cris puxou do bolso um celular; Era o telefone de Horácio, que ela furtara do restaurante pela manhã — Tem dois números que ele liga muito. Preciso saber quem são, endereços, nível de amizade, lugares que freqüentam, esse tipo de informações. Pago R$3000.

— Fechado. R$1500 agora e depois do trabalho?

— De acordo, Jonas. Tente ser rápido. Essa investigação é urgente.

— É algo relacionado com segurança nacional?

— Não, não... — Cris sorriu, percebendo que se contasse a verdade, soaria como patética — Fique tranqüilo. Hoje a noite envie as informações para o meu e-mail, pode ser?

Cris aproveitou que estava na rua e comprou mantimentos, foi no banco e sacou um pouco da quantia que mantinha em sua poupança e voltou para seu apartamento. Ao checar seu e-mail, encontrou o Dossiê de Roberta sobre o “cara da gaivota”.

Seu nome era Horácio Almeida. Era casado, havia dez anos, com uma mulher chamada Tereza Almeida; Não tinha filhos.Vivia com a esposa num bairro afastado da praia, e trabalhava como Auxiliar de Contabilidade num prédio no centro. Tinha apenas uma conta bancária e uma poupança pequena, e seus pais já eram falecidos. Seu único irmão vivo morava em São Paulo, e eles não tinham contato. Sua esposa visitava com freqüência a casa dos pais, que viviam em Rondônia; Não tinha irmãos.

Cris refletiu. Eram um casal solitário, sem ambiente familiar. Onde estaria a esposa agora? Provavelmente o necrotério deveria ter entrado em contato, para ver as questões do enterro; Cris pegou seu celular e discou novamente para Roberta.

— Roberta, aqui é a Cristina. O dossiê ficou incrível, mas preciso saber de um detalhe.

— Manda aí.

— Você sabe se a esposa desse Horácio foi contatada? Ela já veio reconhecer o corpo?

— Isso é engraçado, Cris. Ninguém conseguiu entrar em contato com ela. O apartamento dele está vazio, mas não há sinais de que ela fugiu. O celular dela chamou uma vez, alguém atendeu, em seguida, foi desligado e a polícia não consegue rastreá-lo. Como não existe suspeita de homicídio, então eles deixaram pra lá. Vão enterrar Horácio como indulgente.

— Meu Deus isso é terrível... — Cris suspirou — Obrigada, Roberta. Tchau.

Cristina deitou-se em sua cama. Ao amanhecer, iria até o apartamento de Horácio dar uma olhada, para ver se encontraria algo fora do comum; Checaria os telefones das pessoas para quem ele mais ligava, e tentar obter informações sobre motivos para um suicídio; E é claro, tentaria encontrar sua esposa, Tereza Almeida.

No dia seguinte, Cristina comeu correndo um pão que encontrou em cima da mesa e logo deixou seu apartamento. De táxi, seguiu até o endereço da casa de Horácio que continha no Dossiê. Notou que era uma área pobre, mas aconchegante. Desceu em frente ao prédio, e olhou em volta.

Não havia nenhuma movimentação relevante próxima ao prédio. Ela entrou na porta, e usando uma chave mestra, passou sem problemas pela portaria. Pegou o elevador e subiu até o quinto andar, e em seguida, abriu cautelosamente a porta do apartamento 504.

Ele estava impecável. Sem nenhuma bagunça, ou sinais de briga, ou sinais de abandono, nada. Tudo parecia perfeitamente limpo e no lugar. A louça estava limpa, não havia muita comida estocada na geladeira, nem nos armários. Ele pretendia viajar?

Cris olhou nos quartos, e encontrou tudo perfeitamente normal. Abriu gavetas, e nada encontrou a não ser papéis com telefones, extratos bancários, até que numa gaveta próximo da cama do casal ela encontrou algo que chamou sua atenção: Vários panfletos de Cruzeiros, Pacotes de Viagens de avião e de Guias Turísticos por várias cidades do litoral brasileiro. Ele pretendia viajar, então, com a esposa. Mas a pergunta é, para onde ele foi? A julgar pela casa arrumada, ele com certeza viajou, e deve ter retornado poucos dias antes do suicídio. Algo na viagem aconteceu, será?

Cristina deixou a casa, levando os panfletos, e chegou seu e-mail no seu iPad, e viu que Jonas havia mandado o relatório.

— Perfeito — Murmurou Cristina, enquanto lia os nomes e endereços de duas pessoas; Uma era Malcom, e era o número que mais aparecia no celular de Horácio; Ele vivia ali perto, e ela podia ir andando a pé. A outra pessoa chamava-se Yara Tarcísio, e vivia num bairro distante; pelo dossiê, Cristina viu que ela havia completado vários anos de cadeia, por agressão e violência. Uma amante? Teria ela sidode alguma forma, violenta com Horácio, ou sua mulher? Cristina foi caminhando, pela rua, até localizar a casa de Malcom. Aproximou-se do portão e tocou a campainha.

— Olá, quem é?

— Oi... Aqui é a Detetive Cristina, da Delegacia do Rio de Janeiro... Teria um minuto livre?

Seguiu-se um silêncio hesitante, até que Malcom confirmou no interfone. Em poucos minutos, ele abriu a porta e a chamou para entrar.

A casa de Malcom era simples, mas continha toda uma história de família impregnada em suas paredes. Cristina sentou-se num sofá de couro incrivelmente confortável, e Malcom a ofereceu um café.

— Em que posso ajuda-la? — Malcom perguntou. Cristina deu um gole, e começou:

— Um amigo seu cometeu suicídio na manhã de ontem. Ele chamava-se Horácio Almeida.

A xícara de Malcom despencou de suas mãos, e espatifou-se no chão. Cristina levou um susto, mas captou no ar a confusão do homem.

— O quê?! — Malcom exclamou — Isso é impossível! Não, com certeza deve haver algum engano...

— Sinto muito, mas não há... ele se suicidou num restaurante, ontem pela manhã, após comer carne de gaivota. Isso lhe diz alguma coisa...?

— Isso não faz sentido! Horácio jamais se mataria. Isso não combina com ele!

Ele não havia respondido, mas ela percebeu pela sua reação que a gaivota não lhe dizia nada. Será que não tem nada a ver coma gaivota? Será que foi apenas uma coincidência? Será que todos estão certos, e ele era apenas um maluco suicida? Não pode ser. Malcom diz que não combina com ele, que ele não se mataria.

— Sinto muito pela sua perda. Vocês eram muito amigos? — Cristina perguntou, enquanto Malcom fazia força para não chorar.

— Sim... — ele disse, coma voz baixa — Sim, éramos muito próximos. Nós nos casamos com nossas esposas na mesma época, as festas aconteceram juntas... E quanto à Tereza? Ela foi avisada?

— Não conseguimos localiza-la. — Cristina respondeu — Ela sumiu.

— Entendo. Deve ter surtado quando descobriu pelo noticiário que Horácio cometeu suicídio. Pobrezinha, ela é muito instável emocionalmente, ela deve estar péssima...

Ah, é mesmo? Tereza tem problemas emocionais? Interessante.

— Você diz que Horácio não tinha motivos para se matar... você tem algum palpite?

— Não! Muito pelo contrário, eles iriam voltar de um cruzeiro essa semana. Estavam renovando os votos do casamento, estavam planejando filhos... nunca vi Horácio tão feliz em toda a minha vida. Por isso que não faz sentido!

— É, é o que eu também vejo... Eles saíram num cruzeiro, você diz. E qual cruzeiro foi esse? È um de algum desses panfletos?

Cristiane mostrou à Malcom os panfletos que obtivera na casa de Horácio, e ele reconheceu o cruzeiro em questão em um deles.

— Foi neste. FFJ Cruzeiros. Iria até Curitiba, e depois voltaria, pela orla. Visitaria Ilha Grande também, e as ilhotas de Paraty e Angra.

— Entendo... Malcom, muito obrigada e sinto muitíssimo pela perda. Sugiro que ligue para a delegacia e evite que o corpo seja enterrado como indulgente... apresente-se como amigo do casal, deverá bastar como testemunha.

Cristina se despediu, e se retirou da casa. Caminhou ligeiramente desconsertada, e entrou na internet usando seu iPad para pesquisar sobre o tal FFJ Cruzeiros.

Tratava-se de um cruzeiro econômico, que percorria os litorais brasileiros e ofereciam excelentes pacotes para casais. Horácio deve ter planejado a viagem com Tereza, e algo aconteceu durante a viagem que o fez se suicidar. E Tereza, desaparecida... será mesmo um surto psicótico? Ou será que ela tem algo a ver no suicídio? Será que ela o obrigou a se suicidar, e agora está com medo da polícia e fugiu?

Cristina mordeu os lábios. Ligou novamente para Roberta, e solicitou a ela que providenciasse um dossiê sobre o FFJ Cruzeiros.

— Cris, você pode acabar com meu emprego! Já é o segundo favor em dois dias! Só vou ajudar dessa vez, daqui em diante, desculpe, não poderei mais.

— Obrigada, Rob, você é incrível!

— Isso mesmo, Cris. — Roberta riu — Inflar meu ego só te trará benefícios.

As duas riram.

Cristina então lembrou-se de como eram poucos os momentos em que ela ria. Sentia falta de rir com Ricardo... rir com ele, rir para ele, rir dele... Apertou o peito, ao sentir um leve incômodo, mas então tentou desviar a mente para outro assunto.

Foi almoçar em um restaurante naquele bairro, cujo preço era bem inferior aos locais onde ela estava acostumada a comer, mas com quase a mesma qualidade. Após a refeição, retornou à rua principal e chamou um táxi. Enquanto o veículo fazia seu percurso, Roberta enviou o relatório detalhado do Cruzeiro, e do pacote para casais que Horácio havia comprado. Checou no relatório o nome das pessoas que foram nesse dia, e viu o de Horácio e o de Tereza, mas viu também um que chamou sua atenção: Yara Tarcísio, o outro contato que havia nas ultimas chamadas realizadas do telefone de Horácio. Cristina mudou o percurso na mesma hora com o taxista, até a casa da mulher, com o coração apertado e uma ansiedade fora do comum.

Levou cerca de uma hora para chegar no local. O bairro era um contraste relevante ao barrio no qual Malcom vivia; Era composto por várias alamedas e suas casas eram amplas e luxuosas. Cristina não demorou muito até encontrar a casa de Yara. Aproximou-se, lentamente, vislumbrando a riqueza de detalhes da mansão, e tocou o interfone. Uma governante veio até a porta atendê-la, e em seguida, a conduziu até a sala de estar da residência.

Yara desceu as escadas, com uma expressão de tristeza profunda no rosto. Vestia roupas de frio, e um sapato de salto alto com o bico fino vermelho. Sua maquiagem era pesada, e seus cabelos desprendiam-se até a altura da cintura.

— Posso dizer que esperava sua visita... — Yara disse, quando Cristina apresentou-lhe suas credenciais — Se trata sobre o suicídio de Horácio, não é?

— Sim. — Cristina examinou-a com os olhos atentos, e curiosos — Qual era o nível de proximidade de vocês dois?

Nível de proximidade? — Yara riu, para si mesma — Não éramos amantes. Horácio e eu sempre fomos amigos, desde a infância... ele vivia nessa rua quando seus pais ainda eram vivos.

— A última ligação dele foi para o seu celular, na madrugada do dia em que ele cometeu suicídio... O quê ele disse?

— Nada que fizesse sentido. — Yara suspirou, e Cristina sentiu alguma coisa errada — Ele chorava muito, e disse que... teria que partir. E isso foi tudo. Não me preocupei, na hora, pois achei que ele estava bêbado, coisa que ele adorava fazer. Na manhã seguinte vi o noticiário e fiquei sabendo de sua morte...mas já chorei tudo que eu tinha para chorar. A vida segue, não é mesmo?

— Ele não disse nada? Nada que pudesse te levar a crer que cometeria suicídio? Mencinou a esposa, ou o paradeiro dela? Alguma coisa que aconteceu na viagem em que tinha feito?

O olhar de Yara mudou. Parecia perturbada, e confusa. Cristina percebeu de imediato, e tentou ir com mais cautela.

— Você então os acompanhou no cruzeiro? — Cristina disse, num tom suave e amigável.

— Sim, eu... eu quem tive a idéia, a princípio. Eu havia insistido para que ele comprasse o pacote. Ele estava indeciso, por conta de sua esposa, que havia descoberto que estava grávida.

— Grávida? — Cristina franziu a testa — Não sabia desse detalhe, Malcom não me contou.

— Somente eu sabia — Yara disse — Tereza estava grávida de três meses.

Estava? Ela perdeu o bebê?

Yara demorou para responder. Ficou observando seu próprio sapato, respirando de maneira irregular, como se tivesse escolhendo as palavras. Ela está me escondendo alguma coisa.

— Ela perdeu o bebê. — Yara deixou escapar uma lágrima — Sinto muito, Sra. Cristina, mas não quero mais falar. Isso está muito incômodo... vou subir para o meu quarto. Se quizer ouvir um depoimento de mim, contate o meu advogado.

Cristina tentou insistir para que ela ficasse, mas Yara subiu as escadas, e se perdeu no escuro dos corredores do segundo andar; Não sabia da existência desse bebê. Isso talvez seja o motivo que eu estava procurando. Talvez seja por isso que Tereza sumiu, por se sentir culpada. Ela pode ter perdido o bebê no cruzeiro... Mas espere. Não existe posto médico num cruzeiro. Ela teria que ser removida. Devia ter perguntado isso à Yara...

Cristina pegou seu telefone, enquanto saia da casa de Yara, e ligou para o FFJ Cruzeiros, fazendo-se passar por repórter.

— Olá! Aqui quem fala é a repórter Mila Franchesca, escrevo para a Jornal Noite Viva... você deve ter ouvido falar de mim.

Mila vai me perdoar por usar as identidade dela.

— Sim, sim, sabemos quem é. Em que podemos ser útil? — Disse a voz masculina do outro lado da linha. Cristina pigarreou.

— Queria saber se no Cruzeiro Transatlantic 464 houve alguma coisa fora do normal... foi na primeira sexta feira do mês, o cruzeiro tem duração de duas semanas pelo litoral sul brasileiro...

— Alguma coisa fora do normal?

— Sim. Algum acidente, ou emergência...

— Deixe-me checar. — A voz se afastou. Cristina ouviu murmúrios incompreensíveis, e em seguida, uma voz feminina respondeu grossamente — Não houve nada, e não temos nada a declarar. Bom dia. — E desligou.

Cristina ficou estarrecida, com o telefone ainda no ouvido, sem entender nada. De certo, houver ao acidente, e por proteção ao nome da empresa, eles não devem ter falado sobre isso. Yara não diria nada, ela precisaria ir atrás de outra pessoa da lista. Mas quem?

Era noite, e Cristina estava exausta. Iriam fazer dois dias em que ela não conseguia tirar aquele caso da mente, a imagem do homem perturbado, que após comer carne de gaivota, suicidou-se sem o menor sinal de hesitação. As informações vinham surgindo, mas ela não conseguia ainda montar o quebra cabeça. Faltavam muitas partes, e seu difícil acesso aos dados tornava tudo ainda mais complexo.

Sentou-se em sua cama, e mais uma vez, releu todas as mensagens de texto do celular de modelo antigo de Horácio, para convencer-se de que não havia esquecido ou pulado nenhum detalhe. Foi ao banheiro, ainda como celular na mão, e quando viu que não encontraria nada de novo, o deixou em cima da pia, e tomou um banho quente.

Durante o banho, não conseguiu controlar-se, e deixou as lagrimas caírem, e seu choro e seu lamento estenderam-se por todo o apartamento, sua voz fúnebre e solitária chamando por Ricardo, que jamais a escutaria de novo.

Cristina acordou deitada no sofá, nua, com uma forte dor na cabeça. Ao seu lado, jazia uma garrafa de Helena completamente vazio. Aos poucos, as lembranças da madrugada foram voltando, enquanto ela limpava a bagunça que fizera. Yara é a minha única esperança. Se eu continuar a abordar as pessoas com minhas credenciais, o departamento irá descobrir e as conseqüências não seram tranqüilas. Preciso ligar para ela, como mulher, e pergunta-la tudo que preciso saber.

— Sim? — A voz de Yara estava sonolenta, mas com um tom firme que Cristina logo reconhecera.

— Não desligue. Aqui é Cristina, nos falamos ontem. Preciso confessar-lhe algo: Não está rolando nenhuma investigação sobre Horácio. O caso foi encerrado como sendo suicídio. Eu quero saber por conta própria, Yara... Eu preciso saber.

Yara permaneceu em silêncio, na linha, e Cristina apenas ouvia sua respiração. Ela sente algum tipo de dor. Ela viu algo.

— Onde podemos nos encontrar? Contarei o que eu sei. — Yara disse por fim, e Cristina marcou no bar em que se encontrava com seus colegas do trabalho.

Em cerca de duas horas, Cristina e Yara dividiam uma garrafa de vinho, enquanto Yara conversava sobre assuntos banais, como se tentasse fugir do real motivo que a fez estar ali. Cristina iniciou o assunto.

— Yara...você foi no cruzeiro com Horácio e sua mulher, Tereza, recém grávida, pelo o que você me disse. Alguma coisa aconteceu nesse cruzeiro?

— Sim. — Yara fechou os olhos — Mas não sei muita coisa. — Cristina percebeu que aquela afirmação não era real. Yara sabia algo que não iria dizer, mas Cristina precisava de pouco para entender tudo — A mulher de Horácio, Tereza, não era normal, se é que você me entende. Ela sofria de surtos paranóicos e mania de perseguição. Suas crises emocionais eram intensas, e ela as controlava com medicamentos. Mas, por causa da gravidez, ela suspendeu o uso, sem avisar a ninguém, nem a Horácio.

“Era uma madrugada do cruzeiro, quando eu não me sentia bem. Estava enjoada do mar. Queria voltar para casa, e o navio estava ancorado próximo à umas ilhotas de Ilha Grande, então fui para o convés observar o mar. Quando cheguei lá, encontrei-o vazio, e éramos orientados a não ficar lá de noite... Claro que eu ignorei o aviso, e fui assim mesmo, deliciar-me com os ares noturnos. Foi quando vi Tereza, sonâmbula, gritando com ninguém próximo à beira do navio. Fiquei empalidecida. Corri na direção dela, mas ela desiquilibrou-se e caiu.”

Cristina já não bebia mais. Yara chorava, olhando para o nada.

— Gritei e tentei pegá-la, mas ela se atirou no mar. Olhei em volta e ninguém viu. Ninguém poderia ter visto, ou pensariam que eu a empurrei. Não poderia jamais suportar a idéia de voltar para a cadeia, e uma paranóia entrou na minha cabeça... Corri para o quarto e acordei Horácio, e contei o que tinha acontecido. Mas Horácio nunca foi muito esperto, e foi pego pela adrenalina... correu e quando a viu no mar, sendo levada, pulou também”

— Ele pulou? No mar? — Cristina estava perplexa.

— Sim. E então, em questão de segundos, os dois desapareceram. O medo me fez passar mal, e eu desmaiei. Acordei na enfermaria do Navio, e perguntaram-me se eu queria voltar, e disse que sim. Não os contei sobre Horácio. — Yara despencou no choro, e falava com dificuldade — Fiquei com medo de ser acusada. Fiquei com medo da cadeia. Ser estuprada... Fui para minha casa. — Yara enxugou as lágrimas — E nada mais sei.

Está mentindo.

— Então, depois disso, Horácio te ligou?

— Sim, ele ligou, como eu disse. Não entendi nada.

— E sua reação? Você o viu desaparecer no oceano.

— Eu... — Yara parou de falar. O que você está escondendo, Yara?

— Confie em mim. Essa história nunca sairá daqui. Tem algo que você sabe... e que não me contou.

— Não. Não. Eu preciso ir. — Yara levantou e correu para a saída. Cristina xingou, e deixou o dinheiro da conta na mesa, mas quando chegou na rua viu que a mulher já havia entrado em algum táxi e desaparecido. Cristina foi pra casa.

Durante o caminho, ela foi conjeturando sobre tudo. Aquela história era absurdamente complexa, e os fatores que as formavam eram, individualmente, os problemas psicológicos específicos de cada um; Yara, paranóica por ter sido presa, Horácio, por sua imprudência e insegurança, Tereza, por seus desvios de sanidade mental. Tudo conspirava para o suicídio, embora ainda faltasse uma peça importante.

Cristina chegou em casa, e foi ao banheiro. Entretanto, quando entrou, sentiu um cheiro ruim. Sempre fora muito doentia com limpeza, e o cheiro apesar de sutil, estava exalando em seu banheiro. Observou em volta, e nada encontrou, quando viu o celular de Horácio em cima da pia, com moscas sobrevoando e algumas formigas saindo dele.

Cristina foi assombrada com uma louca rajada de perplexidade, quando lentamente pegou o aparelho e abriu o compartimento da bateria. Lá dentro, no vão que existia devido ao tamanho do celular, ela encontrou um plástico preto. Retirou o plástico, e constatou que o cheiro vinha dali.

Levou o plástico até a cozinha, e o abriu. Nada pode descrever as sensações que tivera ao ver o seu conteúdo.

Tratava-se de um pedaço de carne, podre, como se tivesse sido mastigada, e dentro dela, uma aliança de ouro, exatamente igual a que Cristina vira no dedo de Horácio no momento de sua morte. Não pode ser a mesma, essa só pode... E Cristina viu a areia, dentro do aparelho.

E então Cristina entendeu tudo.

Sentou-se, no sofá, incrédula, rindo de desespero. Yara sabia de tudo. Cristina pegou o celular e ligou para Yara. Ela não atendeu. Ligou novamente, e quando Yara atendeu dizendo palavras de ofensa, Cristina disse sem rodeios:

— Eu já sei de tudo. Descobri há pouco.A aliança estava dentro do celular.

Yara nada disse.

— Ele entrou em contato com você, e te disse, mas você não acreditou. Eu entendo, Yara, a probabilidade de algo assim acontecer é nula.Mas por favor, encontre-me, e ajude-me a encaixar a última peça desse quebra cabeças.

— Tudo bem. — Yara disse — Estou indo para a sua casa.

Cristina sentou-se, diante de Yara, chocada após ter visto a aliança. Ela ajeitou-se na poltrona e começou a falar.

“Quando Horácio me ligou, eu não acreditei. Achei que ele tinha morrido, assim como sua mulher. Insistiu para me ver, e a história que me contou parecia loucura.”

“Horácio acordou numa das ilhotas. Estava exausto, e o navio não se encontrava mais ancorado. Percebeu que ainda usava pijamas, e a única coisa que tinha consigo era o celular, no bolso do paletó, que resistiu à água e não queimou, por mais incrível que pareça. Achou perto de si sacolas de lixo, e algumas frutas, e as comeu; Por precaução, levou as sacolas. Andou por horas, pela orla da praia, pensando em dar a volta na ilha e encontrar a sua mulher, viva, na praia... mas não a encontrou em lugar algum. Sequer conseguiu percorrer tudo. A fome e a sede começaram a fazer com que ele delirasse. Foi então que ele viu, várias gaivotas, pousadas na areia, e então ele pegou uma das sacolas e conseguiu capturar três ou quatro... as matou com pedras e conseguiu fazer uma fogueira. Era seu instinto de sobrevivência falando. Entretanto...”

— Não hesite, Yara. — Cristina disse, quando ela parou de falar abruptamente, e começou a chorar. — Fale até o fim.

“Ele sentiu algo duro na carne de uma das gaivotas. Era a aliança. Dentro da Gaivota. Ele... Ele não entendeu nada. Ficou parado, retirou tudo da boca e colocou num plástico, e em seguida colocou dentro do celular. Estava prestes a desmaiar quando foi encontrado por turistas, num Iate...”

“ Assim, ele foi socorrido mas fugiu do hospital. Foi quando me ligou e pediu para nos encontrarmos, e me contou isso tudo. Não queria me mostrar a aliança, por isso, achei que eram apenas delírios dele. Fiquei com medo dele me denunciar, e disse que nunca havia cruzeiro. Que a mulher dele havia morrido por complicações da gravidez.”

— Meu Deus... — Exclamou Cristina, horrorizada. Yara mais uma vez, chorou profundamente.

“Eu sei” Ela disse, quando se recuperou. “Eu sei, sou terrível. Terrível. Quando vi que ele se matou, eu não acreditei. Ele não entendia a aliança na Gaivota, mas era tudo tão surreal, ele achou que estava ficando maluco de verdade, e por isso... disse-me que queria morrer. Eu não acreditei. Queria elimina-lo da minha vida, e da minha mente. Agora eu juro. Não sei mais de nada.”

— Sim. — Cristina disse — Mas eu agora já sei de tudo. Obrigada. Nunca contarei a ninguém o que houve.

— Se você sabe o que houve... poderia me dizer? — Yara a olhava, desgastada do choro. Cristina acenou com a cabeça.

— As gaivotas se alimentam de peixes, e de cadáveres de mamíferos. A gaivota comeu o corpo morto de Tereza, e Horácio também, ao comer a Gaivota. Quando ele se deu conta de que talvez tenha comido os restos da própria mulher, foi num restaurante e pediu carne de Gaivota. Quando viu que o gosto era diferente... ele se matou. Tudo por causa da carne da gaivota. — Cristina levantou-se para ir embora — Preciso ir para casa, Yara. Ligue-me se precisar de algo.

Cristina chegou em casa, aliviada por ter descoberto tudo, e alivada por ter esclarecido tudo à alguém que agiu de forma errada por conta de sensações insanas. Nada traria Horácio de volta, ou sua mulher, ou seu filho, nem nada traria Ricardo de volta para os braços de Cristina, mas ela sabia que dessa forma ela poderia ajudar.

Ele teria gostado disso.

Ela sabia que onde quer que seu marido estava, ele estaria feliz, por ela ter ido até o final e ter descoberto tudo.

Talvez seja um defeito meu. Algo que já colocou minha vida em risco várias vezes. Mas é quem sou. Se eu não fizer isso, nada farei. É a única forma que posso para cobrir o vazio que é não saber nunca os motivos que levaram Ricardo ao suicídio. Talvez eu não tenha descoberto porque o amava demais para ser fria, e outra pessoa não é tão boa igual a mim. Talvez seja para isso que eu sirvo, afinal de contas... auxiliar os outros, e ir para a cama dormir, todas as noites... sozinha.


FIM



conto por Julien Ossola, dia 31/10/2011

sábado, 29 de outubro de 2011

Como Descobrir se Alguém é Gay Nas Redes Sociais

É minha gente! Estou de volta, em mais um post super informativo e obviamente, útil para a sua vidinha de redes sociais (leia-se: facebook)

Pensando bem, falar do feice num blog cujo dono é a concorrência (google)... Bah. Bobagem!
Eu posso escrever sobre o quê eu quizer, eu li nos termos quando eu aceitei o contrato no dia que eu fiz minha conta.
O quê?
Você não lê aquilo?
CUIDADO HEIN. Eu não assinaria algo sem ler antes.

Mas voltando! Hoje euzinho vou ensinar uma coisa mt útil à vocês...
Como Descobrir se Alguém é Gay Nas Redes Sociais?

Existem X passinhos básicos, vamos lá?


1. AMBIGUIDADE

O hetero não precisa ser ambíguo, pois ser hetero e se auto-afirmar hetero é cool. Então, toda vez que algum hétero for ambíguo, significa que ele tem desvio da sexualidade.
Em outras palavras:
Toda vez que alguém escreve sobre o namorado sem deixar claro o sexo dele, é pq o sexo dele é o msm desse alguém. Ou seja: GAY

Exemplo: Estou com uma PESSOA maravilhosa na minha vida...
Exemplo 2: Amo muito o MEU AMOR...

E por aí vai.

2. FOTINHAS
Todo homem adora se querer, e por isso, todos eles, heteros ou gays, gostam de tirar foto sedução. Foto Sedução são aquelas fotos em que convenientemente o cara tá sem camisa exibindo seu corpo, mas divulga de forma que pareça sutil.

Exemplos?

Foto Sedução de Um Hetero:


Agora, foto Sedução de um Guei:



Viram? A foto Sedução do Gay sempre vai ser mt mais trabalhada e conceito do que a do hetero, a do hetero vai ser sempre suja, com camera ruim e sem edição.


3. Amigos em Comum

Todo gay vai ter no mínimo 20 amigos em comum com você, e todos eles vão ser gays. Claro que, esse guia também tem suas excessões, mas tá valendo. Amigos em COmum NUNCA FALHAM.

4. Tipo de Postagens

Falou que gosta de Madona, é gay. De britney, é gay. De Lady Gaga, é gay. De tudo isso? É travesti.
Heteros postam sem pontuação, com tudo em caixa alta e são burros e estúpidos.
Gays postam frases pseud-cult e vídeos de suas dyvas pop.

5. Abordagem

Se você add um gay, a primeira coisa que ele vai saber é se vc é gay, e se for, se é ativo ou passivo, e SE FOR ATIVO (leia com atenção) ele vai marcar um encontro, mesmo que esteja comprometido.
Se for hetero, vai te ignorar completamente ou ser ingênuo ao ponto de achar que vc realmente queria uma amizade.

E é isso gente! Depois eu posto mais guias para vocês.
Até!



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Enem

O que dizer sobre o ENEM?
Bom, vamos combinar, se ENEM fosse uma coisa boa,existiria ENEM no primeiro mundo.
Acontece que nem vestibular existe no primeiro mundo.
Mas tudo bem, Brasil é Brasil, é assim que fucinona e É ISSO, quem não entrar no eixo
simplesmente se ferra.
Então lá fui eu, o recém-adulto, fazer a inscrição pro ENEM, pela segunda vez (pois quem está terminando
o ensino médio ainda e tá fazendo o ENEM pela primeira vez ainda é um adolescente), e como todo bom brasileiro, demorei um século para descobrir onde diabos eu fazia a inscrição.
Já notaram isso? Todo concurso, vestibular, ou qualquer coisa do tipo simplesmente se encontra em algum canto obscuro da internet, creio eu que seja uma parte indireta do processo de seleção pra evitar gente burra. Seria tudo mais fácil se existisse um site, tipo, www.concursosevestibulares.com, onde TODOS OS EDITAIS sairiam.
Mas nãããão,o governo brasileiro já tem MUITO TRABALHO pra se preocupar com isso.
Mas não vamos sair do assunto do post, afinal, ontem foi dia de ENEM, bebê.
Eu disse dia? Final de Semana.
Obviamente, o ENEM durou dois dias, sendo que um dia foi TODO E COMPLETAMENTE exclusivo para Português e Matemática. Agora eu entendo bem a origem do ciclo vicioso que faz com que essas sejam as matérias mais odiadas de todos (ou as duas ao mesmo tempo, ou uma ou outra), são eles próprios que criam isso na nossa cabeça através dessas...mensagens subliminares.
Recebi meu cartão de confirmação (que não é um cartão, é uma carta comum, igualzinho uma fatura do ITAU Card, ou aquelas cartas do Banco do Brasil BEM SUTIS que você recebe quando deve há mais de um tempo, em que em palavras muito educadas eles dizem que se você não pagar, IRÃO COMER O SEU C*zINHO. Fiquei revoltando, é claro, mas não expus minha revolta para ninguém, poderiam me achar idiota por não compreenderem meu ponto de vista), e a prova estava marcada para ser realizada numa faculdade chamada FAFIC, cuja sigla eu não me lembro muito bem, Faculdade das Famílias Inúteis de Campos, algo assim. Aguardei anciosamente o dia, e pensei de antemão qual desculpa eu iria utilizar no trabalho para faltar no sábado.
chegou o tal sábado, e eu não dei desculpa nenhuma, faltei no carão e fui para o ENEM, às pressas, pois perdi muito tempo com uma certa pessoa na minha cama aproveitando que a casa estava vazia naquela manhã. Corri igual um pobre correndo para pagar a fatura no dia do vencimento faltando um minuto para as quatro horas, e esperei a condução que me levaria até a tal FAFIC.
Fiquei no ônibus por algumas horas, entrando e saindo de ruas e becos assustadores, com casas sem reboco cujas paredes estavam submersas em sinais de infiltrações antigas e fezes de aves diurnas, pessoas vestindo trapos e crianças semi-nuas correndo e brincando na terra preta e suja, gritando frases incompreensíveis num dialeto que eu sinceramente não conheço, fazendo jestos obcenos com as mãos, e quando falavam o português, as eram palavras desprezíveis. O pior eram suas empregadas, mulheres gordas e mal vestidas na frente das casas (claro que eram as empregadas, e eu me pergunto, onde estavam as mães daquela gente?) achando aquilo tudo perfeitamente normal.
Logo depois, a civilização retornou à paisagem, desci na FAFIc e dei de cara com um mar de alunos, tagalerando entre si sobre a prova,e enem,e vestibular,e notas,e gabarito, e eu me senti extremamente infeliz por simplesmente não me preocupar com NADA DAQUILO com o mesmo fervor. O único dia que estudei para o ENEM foi na véspera,e para mim já havia sido extremamente cansativo, então imaginem o turbilhão de sensações psicológicas que atormentaram minha cabeça quando eu ouvi uma menina que vestia roupas coloridas e allstar dizendo para a outra tão colorida quanto que estava estudando sem parar há SIMPLESMENTE 4 MESES?
4 Meses?
Aham claudia.
Tinha gente pior ali no meio. Esse povo magrelo que usa tamanho G e óculos com armação tosca que FEDE A INTELIGÊNCIA, soltando seus blablablas pro alto com a única inteção de se sentir superiores. Caminhei ao lado deles e fiz questão de mostrar que eu uso P, skinny 38 e arraso, obrigado.
Passei direto, entrei e não tive muita dificuldade para encontrar minha sala.Ignorei o merchandising que rolava lá dentro para nos influenciar a nos matricular em algum curso dali, entrei, me sentei, e ali fiquei, ouvindo a fiscal fofocar com a outra, completamente excêntrica, enquanto os outros alunos iam chegando.
A prova foi chata, não entendi bastante coisa, dormi horrores, mas fiz, entreguei e saí.
No dia seguinte, foi tudo a MESMA COISA, só mudou quando eu entrei na faculdade e a prova era diferente.
COMO SEMPRE (pausa dramática) o tema da redação era completamente WHAT THE FUCK*.

Era algo do tipo: O Indivídio na Rede: Os limites do Publico e do Privado.

...

PORRÃN. A gente lê uma coisa dessa e a única coisa que se passa pela nossa cabeça é "HEIN???"
Quando li "rede", logo assimilei à internet, ou algo assim, mas limites de publico e privado? NÃO EXISTE NADA PRIVADO NA REDE. XD (pelo menos não que seja acessível,e se não é acessível, como eu posso saber? Né?)
E então logo em baixo vinha dizendo "fazer proposta de conscientização..." AFF
Conscientizar O QUÊ, PRA QUEM?
Julien, seu burro, é isso que queremos saber.
Certo,mas BASEADO EM QUÊ? Na rede? XD Eu poderia então fazer uma dissertação sobre um pobre indo numa lan house que entraria no tema.
Enfim, o que me salvou, foram os textinhos que eles colocam para, literalmente, DAR UMA LUZ nas idéias enquanto a gente DÁ A LUZ pensando (pelo menos eu acho que a dor é a mesma).
Fiz um texto sobre cyberbullying, todo trabalho na verborragia, e em seguida, fiz a prova, louca e insanamente... Até que em um determinado momento, me veio o sinal da natureza, impossível de driblar: PRECISAVA URINAR.

Comuniquei à fiscal meu desejo, e fui... e fiquei espantado. Fui LITERALMENTE escoltado para o banheiro por vários fiscais, com expressões sérias e atitudes metódicas, balbuciando coisas uns para os outros à distância... É triste saber que no nosso mundo é NORMAL ter que haver tanto controle e desconfiança em relação ao nosso caráter. Seria mais simples se todos fossem honestos e não tentassem trapacear, né, mas ENFIM.
Não consegui usar o banheiro com um CARA parado, me vijiando atrás da porta para ver se eu ia tirar algum papelzinho da cueca. Voltei pra sala e fiquei apertado ATÉ A HORA DE SAIR.
Deu o sinal, eu havia terminado a prova, morrendo de dor de cabeça, fui embora correndo, entrei na primeira van que passou, e eu fui parar num outro lugar BIZARRO, até que horas depois, reconheci o centro, desci, e pude então dar continuidade à minha existência.
É, ENEM. Se eu não tirar uma nota boa, VOU FICAR MTO PUTO.