segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Enem

O que dizer sobre o ENEM?
Bom, vamos combinar, se ENEM fosse uma coisa boa,existiria ENEM no primeiro mundo.
Acontece que nem vestibular existe no primeiro mundo.
Mas tudo bem, Brasil é Brasil, é assim que fucinona e É ISSO, quem não entrar no eixo
simplesmente se ferra.
Então lá fui eu, o recém-adulto, fazer a inscrição pro ENEM, pela segunda vez (pois quem está terminando
o ensino médio ainda e tá fazendo o ENEM pela primeira vez ainda é um adolescente), e como todo bom brasileiro, demorei um século para descobrir onde diabos eu fazia a inscrição.
Já notaram isso? Todo concurso, vestibular, ou qualquer coisa do tipo simplesmente se encontra em algum canto obscuro da internet, creio eu que seja uma parte indireta do processo de seleção pra evitar gente burra. Seria tudo mais fácil se existisse um site, tipo, www.concursosevestibulares.com, onde TODOS OS EDITAIS sairiam.
Mas nãããão,o governo brasileiro já tem MUITO TRABALHO pra se preocupar com isso.
Mas não vamos sair do assunto do post, afinal, ontem foi dia de ENEM, bebê.
Eu disse dia? Final de Semana.
Obviamente, o ENEM durou dois dias, sendo que um dia foi TODO E COMPLETAMENTE exclusivo para Português e Matemática. Agora eu entendo bem a origem do ciclo vicioso que faz com que essas sejam as matérias mais odiadas de todos (ou as duas ao mesmo tempo, ou uma ou outra), são eles próprios que criam isso na nossa cabeça através dessas...mensagens subliminares.
Recebi meu cartão de confirmação (que não é um cartão, é uma carta comum, igualzinho uma fatura do ITAU Card, ou aquelas cartas do Banco do Brasil BEM SUTIS que você recebe quando deve há mais de um tempo, em que em palavras muito educadas eles dizem que se você não pagar, IRÃO COMER O SEU C*zINHO. Fiquei revoltando, é claro, mas não expus minha revolta para ninguém, poderiam me achar idiota por não compreenderem meu ponto de vista), e a prova estava marcada para ser realizada numa faculdade chamada FAFIC, cuja sigla eu não me lembro muito bem, Faculdade das Famílias Inúteis de Campos, algo assim. Aguardei anciosamente o dia, e pensei de antemão qual desculpa eu iria utilizar no trabalho para faltar no sábado.
chegou o tal sábado, e eu não dei desculpa nenhuma, faltei no carão e fui para o ENEM, às pressas, pois perdi muito tempo com uma certa pessoa na minha cama aproveitando que a casa estava vazia naquela manhã. Corri igual um pobre correndo para pagar a fatura no dia do vencimento faltando um minuto para as quatro horas, e esperei a condução que me levaria até a tal FAFIC.
Fiquei no ônibus por algumas horas, entrando e saindo de ruas e becos assustadores, com casas sem reboco cujas paredes estavam submersas em sinais de infiltrações antigas e fezes de aves diurnas, pessoas vestindo trapos e crianças semi-nuas correndo e brincando na terra preta e suja, gritando frases incompreensíveis num dialeto que eu sinceramente não conheço, fazendo jestos obcenos com as mãos, e quando falavam o português, as eram palavras desprezíveis. O pior eram suas empregadas, mulheres gordas e mal vestidas na frente das casas (claro que eram as empregadas, e eu me pergunto, onde estavam as mães daquela gente?) achando aquilo tudo perfeitamente normal.
Logo depois, a civilização retornou à paisagem, desci na FAFIc e dei de cara com um mar de alunos, tagalerando entre si sobre a prova,e enem,e vestibular,e notas,e gabarito, e eu me senti extremamente infeliz por simplesmente não me preocupar com NADA DAQUILO com o mesmo fervor. O único dia que estudei para o ENEM foi na véspera,e para mim já havia sido extremamente cansativo, então imaginem o turbilhão de sensações psicológicas que atormentaram minha cabeça quando eu ouvi uma menina que vestia roupas coloridas e allstar dizendo para a outra tão colorida quanto que estava estudando sem parar há SIMPLESMENTE 4 MESES?
4 Meses?
Aham claudia.
Tinha gente pior ali no meio. Esse povo magrelo que usa tamanho G e óculos com armação tosca que FEDE A INTELIGÊNCIA, soltando seus blablablas pro alto com a única inteção de se sentir superiores. Caminhei ao lado deles e fiz questão de mostrar que eu uso P, skinny 38 e arraso, obrigado.
Passei direto, entrei e não tive muita dificuldade para encontrar minha sala.Ignorei o merchandising que rolava lá dentro para nos influenciar a nos matricular em algum curso dali, entrei, me sentei, e ali fiquei, ouvindo a fiscal fofocar com a outra, completamente excêntrica, enquanto os outros alunos iam chegando.
A prova foi chata, não entendi bastante coisa, dormi horrores, mas fiz, entreguei e saí.
No dia seguinte, foi tudo a MESMA COISA, só mudou quando eu entrei na faculdade e a prova era diferente.
COMO SEMPRE (pausa dramática) o tema da redação era completamente WHAT THE FUCK*.

Era algo do tipo: O Indivídio na Rede: Os limites do Publico e do Privado.

...

PORRÃN. A gente lê uma coisa dessa e a única coisa que se passa pela nossa cabeça é "HEIN???"
Quando li "rede", logo assimilei à internet, ou algo assim, mas limites de publico e privado? NÃO EXISTE NADA PRIVADO NA REDE. XD (pelo menos não que seja acessível,e se não é acessível, como eu posso saber? Né?)
E então logo em baixo vinha dizendo "fazer proposta de conscientização..." AFF
Conscientizar O QUÊ, PRA QUEM?
Julien, seu burro, é isso que queremos saber.
Certo,mas BASEADO EM QUÊ? Na rede? XD Eu poderia então fazer uma dissertação sobre um pobre indo numa lan house que entraria no tema.
Enfim, o que me salvou, foram os textinhos que eles colocam para, literalmente, DAR UMA LUZ nas idéias enquanto a gente DÁ A LUZ pensando (pelo menos eu acho que a dor é a mesma).
Fiz um texto sobre cyberbullying, todo trabalho na verborragia, e em seguida, fiz a prova, louca e insanamente... Até que em um determinado momento, me veio o sinal da natureza, impossível de driblar: PRECISAVA URINAR.

Comuniquei à fiscal meu desejo, e fui... e fiquei espantado. Fui LITERALMENTE escoltado para o banheiro por vários fiscais, com expressões sérias e atitudes metódicas, balbuciando coisas uns para os outros à distância... É triste saber que no nosso mundo é NORMAL ter que haver tanto controle e desconfiança em relação ao nosso caráter. Seria mais simples se todos fossem honestos e não tentassem trapacear, né, mas ENFIM.
Não consegui usar o banheiro com um CARA parado, me vijiando atrás da porta para ver se eu ia tirar algum papelzinho da cueca. Voltei pra sala e fiquei apertado ATÉ A HORA DE SAIR.
Deu o sinal, eu havia terminado a prova, morrendo de dor de cabeça, fui embora correndo, entrei na primeira van que passou, e eu fui parar num outro lugar BIZARRO, até que horas depois, reconheci o centro, desci, e pude então dar continuidade à minha existência.
É, ENEM. Se eu não tirar uma nota boa, VOU FICAR MTO PUTO.

Um comentário:

  1. Hahaha, passei por situações similares quando fiz o enem 3, (TRÊS) VEZES. ahahaha, isso é Brasil!

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